O Jogo ao Vivo

Educação

Chapitô: "A minha vida será num circo e num palco"

Chapitô: "A minha vida será num circo e num palco"

O Chapitô, em Lisboa, abriu as portas às primeiras 22 candidaturas a Artes Circenses e Cenografia para o ano.

Veio do Brasil para fazer a prova, porque no interior do Rio de Janeiro não há escolas "com aquilo que encontrou no Chapitô" e Catarina Botelho quer "mesmo, mesmo, fazer isto". Quem sabe, "um dia, ter um circo como o avô". Isso é que "era top". É uma das 22 candidatas ao curso de Interpretação e Animação Circense para 2019/2020. Vê-la num tecido que cai do céu a elevar-se e a contorcer o corpo é um convite a voar.

Com os pés no chão, já no restaurante da escola, cheia de jovens e de cores e movimento, diz que a arte cativa e "cativa cada vez mais, porque as pessoas estão hoje robotizadas e quando veem algo verdadeiro ficam mais felizes, porque se lembram de quem são". Catarina tem 16 anos e vai viver sozinha, em Lisboa, pelo menos, nos próximos três, enquanto durar o curso. "Já está em tempo", relativiza.

Depois de o curso acabar, as portas estão abertas. Quem sai do Chapitô - onde pode fazer também o curso de Cenografia, Figurinos e Adereços - tem uma dupla certificação. "Por um lado, fica com um curso técnico profissional, por outro com o nível Secundário, podendo concorrer à universidade", sublinha Rosângela Barreiro, a produtora. "A maioria do alunos sai para escolas internacionais de circo, outros para a Escola Superior de Teatro e Cinema", concretiza.

Como dizer aos pais

Após a decisão, o primeiro passo é comunicar aos pais a vocação e, em muito casos, "não é fácil", partilha Raquel Vilhena, uma outra candidata a Interpretação e Animação Circense.

"Mas eu sempre senti que este mundo estava lá, presente. Não consigo trocar isto por nada, percebe? No início, não gostaram da ideia, mas não havia saída". A vida da Raquel, garante-o com 15 anos, "será num circo e num palco".

PUB

"Os pais têm medo da vida de artista, porque é instável, porque é errante e porque não querem que os filhos passem dificuldades. Mas hoje qual é vida que não é instável? O que é seguro?", questiona Zoe Valentim, outra candidata.

Atrás de si, circulam os alunos mais velhos, vão para aqui, vão para ali, descem as escadas, conversam, riem. Uns estão nas salas de aulas agarrados ao trapézio ou ao tecido, outros a dançar, e todos a trabalhar o corpo, a disciplina, a perícia e "uma vida que não seja formatada", traduz o candidato e ex-aluno de ballet Juliano Almeida."Daqui a uma década quero ser ator", afirma, com 17 anos. Isso e "ser pai".

Um projeto social

O Chapitô, escola profissional de artes circenses, que fica no coração de Lisboa, perto do castelo de São Jorge, tem estes dois cursos em permanência - Interpretação e Animação Circense e Cenografia, Figurinos e Adereços - mas não se fica por aqui, o que já seria muito. É um projeto social de inclusão, que trabalha com jovens que estão em centros educativos, isto é, que passaram pela Lei Tutelar Educativa e pelos meandros da Justiça. E um centro de produção de eventos e espetáculos para particulares e empresas, em Portugal ou no estrangeiro.

Tem 90 profissionais ao serviço, 120 alunos e a porta aberta a todos os que por ali já passaram e que ainda querem passar.

"Entre muitas escolas que vi, em França e em outros países, escolhi esta. Mas não sei bem porquê. Gostei, pronto", resume a candidata francesa Line Baudemont.

Turmas de 14 pessoas

Cada turma dos cursos profissionais tem 14 alunos. Até outubro, a escola está apta a receber mais pessoas.

Currículo

Além da forte componente artística, estes dois cursos técnico-profissionais têm as disciplinas gerais, como Português, Matemática, Inglês ou História.

120 alunos estudam no Chapitô atualmente, entre os dois cursos técnico-profissionais: Interpretação e Animação Circense e Cenografia.

90 profissionais trabalham na escola, entre professores, produtores e restantes funcionários.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG