Covid-19

Cinco jovens desesperados por ameaça de ficarem na rua em Lisboa

Cinco jovens desesperados por ameaça de ficarem na rua em Lisboa

Cinco jovens, com idades entre os 20 e os 30 anos, estão na iminência de ficar sem tecto já nesta terça-feira, devido ao fecho do hostel onde estavam hospedados. Perderam os empregos devido à pandemia de Covid-19, não têm como pagar alojamento, mas, apesar de vários apelos, receberam uma espécie de ultimato e garantem não ter alternativa

"É verdadeiramente desesperante. Perdemos os nossos trabalhos, fomos pagando a estadia até podermos, mas, agora, o hostel diz que temos mesmo de sair e não temos dinheiro para arranjar outro espaço onde possamos ficar", desabafa, emocionada, Greiciele Borges, brasileira, de 25 anos, uma das jovens que se encontra no interior do Safestay Lisbon Hostel, localizado na Travessa do Fala Só, em pleno centro de Lisboa..

Além de Greiciele, estão nesta situação mais três jovens do sexo masculino, também brasileiros, e uma francesa de 20 anos.

Filomena Leite de Castro, vizinha, que se tem desdobrado em contactos para ajudar os jovens que permaneciam no hostel, conta que tudo começou a 20 de março quando, em face da pandemia de Covid-19, a direção da unidade avisou que iria encerrar as instalações. "Havia na altura mais hóspedes, que, logo desde esse dia, começaram a sofrer pressões para saírem, sem que fosse dada qualquer alternativa", conta.

Alguns conseguiram encontrar um alojamento para ficar, mas este grupo de cinco que permanece nas instalações não tem meios para encontrar alternativa, por terem ficado todos desempregados. "Mandam-nos sair para cumprir a lei, mas se formos para a rua sem termos casa, também não estaremos a cumprir a lei, que é decretada pelo estado de emergência", observa Greiciele Borges.

A jovem sublinha que procurou o apoio do consulado do Brasil, mas diz, tal como os seus compatriotas, se sente "abandonada" pelas autoridades do seu país. "A única coisa que nos disseram foi que ficássemos atentos ao mail e pediram que lhes fornecêssemos contactos de familiares nossos no Brasil para nos poderem mandar dinheiro", observa, visivelmente revoltada.

Até esta terça-feira, os jovens têm permanecido no interior das instalações. Inicialmente foram alimentados por donativos de vizinhos e, posterirmente, pela Junta de Freguesia de Santo António, que assegura os almoços e jantares. Aquela autarquia tentou perceber junto da direção do hostel qual a intenção relativamente a estes jovens, até porque, como destaca o presidente Vasco Morgado, "nesta altura temos de apoiar toda a gente e não olhar apenas para o nosso umbigo".

O autarca garantiu ao JN que, no último contacto que manteve com o responsável pelo hostel, na semana passada, este lhe disse que não iria expulsar os hóspedes sem alternativa de habitação. "Disse-me apenas que iria colocá-los em dois quartos para fechar os outros andares e desinfetar as instalações mas que não os iria pôr na rua", assegura Vasco Morgado, que está a acompanhar o ultimato dado esta terça-feira com "grande preocupação".

O JN tentou falar com o responsável do Safestay Hostel, por telefone e mensagem, mas, até ao momento não obteve resposta.

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