Lisboa

Corte de árvores abre polémica

Corte de árvores abre polémica

Nos últimos dias foram já abatidas 43 árvores no Príncipe Real, em Lisboa. O vereador Sá Fernandes assegura que são árvores doentes e que serão substituídas. Mas os moradores estão revoltados e não acreditam na tese da doença.

"Perplexo e indignado", eis como admite estar Nuno Caiado, morador no Príncipe Real, depois de ter visto, ao longo desta semana, a força das moto-serras abater 43 árvores no Jardim França Borges.

Ao JN, o vereador Sá Fernandes, que coordena a intervenção de recuperação do jardim, justificou a atitude com o facto das árvores em questão exibirem "indícios de podridão facilmente detectáveis" e que esta medida "tem a ver essencialmente com a segurança das pessoas". "Com uma rabanada de vento, estas árvores podiam cair", sublinhou.

Todavia, os moradores não aceitam a tese da doença das árvores. "A maior parte delas não mostra sinais de doença e aparentemente estão em bom estado", contrapõe Nuno Caiado, baseando-se na observação dos troncos e raízes que agora jazem no chão. A opinião é corroborada por outro cidadão, Paulo Ferrero. "Não acredito que estejam doentes e se estiverem pode haver cura nem que seja para algumas", afirmou ao JN, recusando, de todo, qualquer "perigo de caírem sobre as pessoas".

Sá Fernandes sublinha, contudo, que "há coisas que são visíveis olho nu" e que a decisão do abate partiu, nuns casos, de "técnicos da Câmara que tratam de arvoredo há mais de 20 anos" e, noutros casos, de informação pedida a técnicos de Patologia.

Nuno Caiado estranha que o corte de árvores aconteça no bordo do jardim (na parte exterior, mais próxima das ruas), o que, na sua óptica, configura um "padrão incompatível com a alegação de que se trata de árvores doentes".

Sá Fernandes tenta acalmar os ânimos, prometendo que "vão ser plantadas mais árvores do que aquelas que foram arrancadas" e "no mesmo local". "É evidente que vão ter que plantar mas vão ser Lódãos", reage Paulo Ferrero, lembrando que "é uma árvore pequena e daqui a 30 anos terá a mesma cota".

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Os moradores não encontram explicação. Paulo Ferrero desconfia de "um negócio por detrás" e questiona: "Para onde é que vai a madeira abatida?"

"De onde é que vêm as outras árvores? Qual é a empresa que tira os cotos?". "É mera tolice e incompetência", pergunta, por seu turno, Nuno Caiado.

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