Lisboa

Crianças regressam à creche: "Sentiam muito a falta dos colegas"

Crianças regressam à creche: "Sentiam muito a falta dos colegas"

Esta manhã de segunda-feira, pelas 8.30 horas, no Infantário Pedrita, em Lisboa, dezenas de crianças teimavam em não largar os pais para entrarem na creche, que reabriu hoje. A maioria, principalmente os mais novos, "preferia estar em casa", mas os mais velhos já "sentiam muito a falta" dos colegas.

Vanessa Fontes e Sérgio Leal estiveram em teletrabalho neste último confinamento com dois filhos, de dois e seis anos, e já estavam a precisar de os deixar no Infantário Pedrita, em Benfica. "Trabalhávamos pela noite dentro para compensar porque era difícil trabalhar durante o dia. Hoje vai ser mais fácil", desabafa Vanessa Fontes. O mais velho já tinha saudades dos colegas, mas à mais nova custou mais. "Ele já precisa de outras interações, mas ela gosta mais de estar em casa", explica.

Há um ano em teletrabalho, o dia-a-dia de Cátia Carvalho também tem sido um grande desafio. "É difícil gerir o trabalho em casa com uma criança tão pequena, que ainda não entende bem o que se passa. Por um lado, temos de começar a regressar à normalidade e, por outro, a segurança nunca é total, é uma dualidade de sentimentos", admite, enquanto deixa a filha de três anos, chorosa, na creche.

O filho de Canan Colaço, de quatro anos, também ainda não tinha vontade de voltar. "Estava a ser difícil em casa, não podemos deixá-los, a ele e ao irmão de dois anos, sozinhos durante dez minutos. Por outro lado, gostam mais de estar em casa, pois a creche tem mais disciplina", explica Canan. António Medalhas, pai de uma criança de cinco anos, sente o mesmo. "Ele não estava com muita vontade de vir", partilha.

A expressão no rosto das crianças mais velhas, a saltitarem impacientemente à entrada do infantário, era, porém, bem diferente dos mais pequenos. "Tiveram dificuldade em adaptarem-se às aulas online e estão muito felizes por verem os colegas, já sentiam muito a falta deles e queriam muito vir", explica Angelita Pereira, mãe de dois rapazes, de quatro e cinco anos. Angelita esteve nos últimos dois meses com as crianças em casa e agora vai aproveitar para descansar enquanto não regressa ao trabalho, no início de abril, quando os centros comerciais reabrirem.

Gonçalo, quatro anos, filho de Sandra Ferreira, esconde-se atrás da mãe e vai espreitando tímido com um ar brincalhão. Para a mãe, já estava na hora de as creches reabrirem. "Este segundo confinamento foi pior, ainda não tínhamos recuperado do primeiro. Ele precisava de voltar, está sempre a perguntar por amigos para brincar e também já estamos fartos um do outro", brinca. O mais difícil foi mesmo trabalhar a partir de casa. "É diferente estar sozinha ou com uma criança a chamar constantemente por nós", explica.

Uma das maiores preocupações de Sandra é que haja algum caso de covid-19. "Eles andam sem máscara e estamos sempre com o coração nas mãos, à espera de um email ou de uma chamada a comunicar que há um novo caso de covid-19. No ano passado houve dois casos no infantário", recorda.

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Sofia Penim, que veio deixar o filho, de dois anos, contou com o apoio da avó de Rodrigo, mas, frisa, o papel da escola é insubstituível. "Tivemos a "infelicidade feliz" de a loja da avó fechar por causa da pandemia e ficar a tratar dele, uma grande ajuda uma vez que eu e o meu marido estamos os dois em teletrabalho. No entanto, já estava na altura de regressar porque por mais atividades que façamos em casa nada é comparável ao que a escola dá, a interação com outras crianças faz muita falta", considera.

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