Lisboa

Dezenas de ucranianos em Lisboa alertam para "tirania" de Yanukovych

Dezenas de ucranianos em Lisboa alertam para "tirania" de Yanukovych

Cerca de 60 ucranianos manifestaram-se este domingo no Parque das Nações, em Lisboa, contra o regime do presidente da Ucrânia e para apelar à União Europeia para "travar a tirania" de Viktor Yanukovych.

Nem a chuva impediu os manifestantes de se dirigirem à Avenida das Bandeiras, onde envergaram bandeiras de Portugal, da Ucrânia e da UE e exibiram cartazes com imagens da repressão policial sobre manifestantes num protesto em Kiev.

Nos cartazes podiam ainda ler-se palavras de ordem como "Regime de Yanukovych usa o terrorismo contra o povo ucraniano", "Mais de 40 jornalistas sofreram nas mãos da polícia", "Inatividade da Europa incita à violência" e "Pedimos à Europa para intervir de imediato e impor sanções".

Em declarações à Lusa, o presidente da Associação de Ucranianos em Portugal e promotor da manifestação "Europa não fiques em silêncio!", disse que vão enviar uma carta a todos os países da UE a pedir para "ajudarem o povo ucraniano com sanções económicas àqueles que deram origem à situação que está a ocorrer na Ucrânia".

"Temos um Governo que tem todo o poder: a polícia, a procuradoria-geral, os jornais. Está tudo nas mãos do presidente que levou a Ucrânia a esta desgraça económica e política em que agora vive o povo ucraniano", disse Pavlo Sandokan.

Afirmando que na base dos problemas da Ucrânia está a corrupção no país, o presidente da Associação dos Ucranianos em Portugal pediu aos "governos da UE que bloqueiem as contas, os imóveis, as empresas de todas as pessoas que estão ligadas à corrupção na Ucrânia".

Pavlo Sandokan lamentou que "em mais de 20 anos de independência [o país] nunca tenha conseguido ter um governo justo".

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"Na realidade, a Ucrânia até agora não saiu da influência de Moscovo, que continua a vê-la como uma das repúblicas do império russo", afirmou.

Referindo-se aos protestos que ocorreram na Ucrânia, o dirigente associativo lembrou que "muitas pessoas continuam presas, há protestantes mortos, protestantes que continuam perseguidos pelo regime de Yanukovych, mais de 30 pessoas desaparecidas e até os jornalistas sofreram e continuam a sofrer".

A Ucrânia vive em instabilidade desde novembro, quando o presidente suspendeu as negociações para um acordo de associação com a UE, relançando as relações económicas com Moscovo.

Desde essa altura Kiev tem sido o epicentro de protestos e manifestações que se espalharam por toda a Ucrânia.

Com milhares de manifestantes nas ruas, com a polícia por vezes a usar a força, a oposição passou a exigir a demissão do Presidente e a realização de eleições antecipadas.

Yanukovych aceitou a demissão do primeiro-ministro, revogou leis antiprotesto polémicas, mas nem assim as manifestações pararam nem os manifestantes deixaram de exigir a demissão do presidente.

O que começou como um movimento pró União Europeia tornou-se numa campanha para derrubar Yanukovych.

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