Manifestação

Dezenas juntam-se em Lisboa contra Bolsonaro

Dezenas juntam-se em Lisboa contra Bolsonaro

Manifestantes juntaram-se em Lisboa contra presidente do Brasil, aumento da pobreza e violência. Exigiram a saída de Bolsonaro do poder.

"Fora Bolsonaro", "Bolsonaro genocida" ou "Se o povo se unir Bolsonaro vai cair" foram algumas das palavras de ordem gritadas por dezenas de manifestantes, que marcharam da Praça Luís de Camões até ao Rossio, passando pelo consulado do Brasil, este sábado, em Lisboa.

Numa manifestação pacífica, brasileiros - a maioria a viverem em Portugal -, protestaram contra a forma como o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, geriu a pandemia, o aumento da pobreza e da violência no país, exigindo ainda a sua saída do Palácio do Planalto.

Dezenas de manifestantes desceram, este sábado, a Rua Garrett, ao som de batuques, empunhando cartazes onde se podia ler "Fora Bozo", "Viva o poder popular" ou "Marielle presente", numa marcha "contra o genocídio do povo brasileiro". Laís Barros, 32 anos, chegou há uma semana a Lisboa para fazer um doutoramento em questões de género e decidiu juntar-se ao protesto. "Em Portugal sinto-me mais livre para estudar o que quiser. No Brasil cortaram as bolsas nestas áreas de estudo, há censura sobre alguns temas e perseguição aos professores. Temos de sair para continuar a estudar", lamentou.

Sofia Valente, 20 anos, e Rafael Barcelos, 18 anos, também vieram estudar para Portugal. Chegaram há três meses e preferiam que não tivessem de sentir-se obrigados a sair do país onde nasceram. "Nunca vi tantas pessoas a morrer à fome e a violência aumentou muito. Aqui temos perspetivas de futuro, lá há um desemprego excessivo", partilhou a jovem que, no final da manifestação, se emocionou, quando um brasileiro apoiante de Bolsonaro, que ia a passar, disse aos participantes do protesto para "irem trabalhar". "É muito duro ouvir isto".

Os outros manifestantes não demoraram a reagir, vaiando o homem com assobios e chamando-lhe "ladrão". "Vai comer ossos", gritaram ainda alguns, sob o olhar atento de agentes da Polícia, que não precisaram de intervir numa manifestação que decorreu sem grandes sobressaltos.

Enaile Iadanza, 60 anos, a viver em Brasília, veio passar uns dias a Portugal e não pode deixar de participar na marcha contra Bolsonaro. "Há muita miséria no Brasil, muitas pessoas a viverem na rua, que estão a comer ossos e cabeça de peixe, o que se dá aos animais. Temos de tentar tirar o Bolsonaro, está a destruir o país todo", criticou. Ricardo Scholz, de 38 anos, que está com a mulher e o filho de quatro anos em Lisboa desde agosto, a trabalhar remotamente, partilhou o mesmo. "Nunca vi tantos sem-abrigo e pessoas a pedir na rua ou em filas para comerem. Como consequência a violência aumentou e sentimo-nos mais inseguros. Viemos para Portugal porque quisemos afastar-nos um pouco do Brasil, que está um caos", lamentou o brasileiro de Recife.

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Pedro Prola, coordenador do núcleo do Partido dos Trabalhadores em Lisboa, um dos organizadores do protesto, lembrou que "já morreram mais de 600 mil pessoas na pandemia por causa dos crimes de Bolsonaro". "Estamos numa situação muito complicada, com mais de 19 milhões de pessoas a passar fome todos os dias".

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