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Filas de carros para comprar lenha na Grande Lisboa

Filas de carros para comprar lenha na Grande Lisboa

A descida das temperaturas e o aumento do número de casos covid-19, que levaram mais pessoas a ficarem em casa, fez disparar o número dos pedidos para compra de madeira, deixando as lojas sem capacidade de resposta.

Os telefones de vários estabelecimentos de venda de lenha, na Grande Lisboa, não pararam de tocar nos últimos dias. Pedro Fernandes, do Zé da Lenha, em Sintra, esta tarde de quinta-feira, tinha "filas de 40 carros" à porta do seu armazém de lenha.

"Os pedidos aumentaram para mais do dobro, tenho 260 mensagens no telemóvel para responder ainda, maioritariamente de clientes particulares. Já estamos a racionalizar, 100 quilos por carro. Não temos lenha para muito mais tempo", admite. Pedro optou por não aumentar o preço, apesar da subida da procura. "Não faz sentido aproveitarmos-nos da crise", diz o empresário, que já não está a fazer entregas a casa dos clientes.

Fernando Dias do estabelecimento de venda de lenha com o seu próprio nome, em Cascais, também manteve o preço e não está a pensar racionalizar, apesar do "grande aumento de pedidos, para o dobro". "Para já levam o que querem, mas já não atendemos todos. Quase 90% são particulares que estão mais em casa por causa do aumento dos casos covid-19", garante.

Anabela Sertã, proprietária da Ecolenha, em Loures, só esta quinta-feira recebeu mais de 100 chamadas telefónicas. "Está a ser uma loucura, há muita gente a vir buscar e ainda não esgotou, mas já não tenho capacidade para vender para todos, muitos não são atendidos. Ontem, apareceu uma família, com uma criança, e ofereci meia dúzia de paus", relata. A maioria dos pedidos é de restaurantes, principalmente pizzarias e churrasqueiras, para os quais já tem "uma grande reserva".

"Com o aumento de pedidos de takeaway estão a queimar lenha todo o dia. Nesta altura, para manterem a temperatura dos fornos, também consomem mais", explica. Segundo Anabela Sertã, durante o período de confinamento e no verão vários fornecedores não trabalharam e, por isso, este ano recebeu menos material.

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"Agora já retomaram o trabalho, mas pelos meses que não trabalharam não conseguimos ir buscar a mesma lenha este ano. Numa fase inicial alguns fornecedores, principalmente do Alentejo, nem queriam que fossemos lá, tinham receio de apanhar covid-19 por em Lisboa haver mais casos. Estamos com quebras de 50%, é assustador", lamenta.

A dona da Ecolenha diz ainda que tem recebido mais pedidos de outras zonas da Grande Lisboa, de onde não costumava receber, como Malveira, em Mafra, onde, avança, "alguns estabelecimentos de venda de lenha já fecharam".

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