Lisboa

Andam um quilómetro a pé para terem aulas

Andam um quilómetro a pé para terem aulas

Os alunos da Escola Básica Luís de Camões, em Lisboa, estão há oito anos sem transporte até ao Pavilhão Municipal do Casal Vistoso, onde têm as aulas de Educação Física.

A Associação de Pais e Encarregados de Educação (APEE) da EB 2,3 Luís de Camões exige que o Ministério da Educação resolva o problema, disponibilizando um autocarro que assegure o transporte dos cerca de 550 alunos, com idades entre os 09 e os 15 anos, até ao pavilhão desportivo.

"Não achamos normal que os alunos tenham que andar um quilómetro a pé para poderem fazer Educação Física, carregadíssimos com a mochila de desporto mais a mochila com os livros todos", afirmou à agência Lusa a presidente da APEE, Rita Gorgulho, referindo que a situação se arrasta há cerca de oito anos, desde que o ginásio de que a escola dispunha foi demolido por se encontrar degradado.

Para a associação de pais, "a segurança e bem-estar dos alunos não foram assegurados", já que as crianças são obrigadas a percorrer esse percurso a pé, duas vezes por semana, "atravessando artérias perigosas da cidade com trânsito intenso, muitas vezes sob condições naturais adversas, à chuva e ao sol, carregadas com mochilas que chegam a ser superiores a 30% do seu peso".

"Felizmente, não temos notícia de que alguma vez tenha acontecido algum problema, mas os pais nunca estão 100% descansados", contou Rita Gorgulho.

Entretanto, os pais e encarregados de educação dos alunos promoveram uma petição - "Por um autocarro que assegure o transporte dos alunos entre a EB 2, 3 Luís de Camões e o Pavilhão do Casal Vistoso" - que reuniu cerca de 300 assinaturas e que foi apresentada na Assembleia Municipal de Lisboa, mas a autarquia fez saber que a responsabilidade desta situação é do Ministério da Educação.

Há cerca de um mês, a associação de pais solicitou uma audiência com o ministro, de forma a resolver esta situação o mais rapidamente possível, mas "até ao momento não obteve qualquer resposta".

"Os alunos da EB 2, 3 Luís de Camões estão a ser discriminados e ignorados pela tutela", considerou a presidente da APEE.

Em resposta à agência Lusa, fonte do Ministério da Educação informou que "o problema referido é do conhecimento dos serviços" e explicou que, devido a falta de pavilhão na escola, se "optou por disponibilizar o Pavilhão do Casal Vistoso, com condições ideais para a prática desportiva".

"No ato da matrícula, os encarregados de educação são devidamente informados da necessidade da referida deslocação, sendo-lhes solicitada a devida autorização para o efeito", referiu a fonte da tutela, acrescentando que os alunos são acompanhados por funcionários da escola em todo o trajeto, de ida e de regresso, acautelando-se a segurança dos respetivos estudantes.

Questionado sobre se vai ser disponibilizado um autocarro para transportar os alunos e se está prevista a construção de pavilhão desportivo nesta escola, o Ministério da Educação não respondeu.

"Construir um pavilhão era ótimo", defendeu Rita Gorgulho, frisando que, enquanto tal não se concretiza, a prioridade é arranjar transporte para os alunos.

Localizada na freguesia lisboeta do Areeiro, a escola tem "muitas falhas a nível material" para ensinar as crianças, disse a responsável da associação de pais, referindo que é uma situação incompreensível, uma vez que na mesma freguesia o Agrupamento de Escolas D. Filipa de Lencastre possui "todas as condições materiais que é suposto um estabelecimento de ensino de uma capital europeia do século XXI ter".

"Duas escolas com educação a duas velocidades a nível de instalações e equipamentos", criticou Rita Gorgulho.

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