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Cão de assistência guia investigadora norte-americana em Lisboa

Cão de assistência guia investigadora norte-americana em Lisboa

Uma cidadã norte-americana, com um problema de saúde que recomenda o acompanhamento por um cão de assistência, está em Lisboa a fazer investigação, mas só graças à certificação do animal por uma associação portuguesa conseguiu circular sem restrições pelos locais que visita.

Amy Love, 56 anos, chegou há cerca de uma semana e meia a Lisboa, acompanhada pela Neikka, a sua cadela meio Husky meio Samoiedo, para fazer investigação para um mestrado que está a tirar no seu país. Só que, apesar de Portugal ter a legislação mais favorável a cães de assistência, continuam a ser muitos os que a desconhecem. E Amy sentiu-o na pele.

"Só numa loja em Lisboa me deixaram entrar sem problemas", contou ao JN, revelando que, em outros locais, nomeadamente em hotéis - todos de 5 estrelas - foram várias as dificuldades que encontrou para se alojar. "Numa destas unidades de luxo, quiseram cobrar-me 75 euros extra pela limpeza do quarto, o que é ilegal", observa.

Desanimada, chegou a pensar regressar aos Estados Unidos sem concluir a sua investigação. Até que, após contactar um amigo, que exerce medicina dentária no seu país, conheceu a Associação Portuguesa de Cães de Assistência (APCA). Foi esta que certificou a Neikka segundo a lei portuguesa e que a ajudou a superar as barreiras.

Rui Elvas, presidente da APCA explica ao JN que, após a cadela ter "passado com distinção" em todos os testes de avaliação, ele próprio passou a acompanhar Amy Love nas suas deslocações, para assegurar que a lei era cumprida. "No caso do hotel de luxo, que queria cobrar os 75 euros, falámos com a administração e, claro que ela não teve de pagar nenhum extra", revela. Mas foi também preciso intervir em outros sítios, onde a primeira reação dos responsáveis é barrar a entrada do canídeo.

"Em Portugal temos a melhor legislação do mundo, que atribui entrada livre em qualquer lado aos cães de assistência, mas há ainda muito o estigma de que apenas os cães guia para cegos gozam desse benefício", explica o dirigente da APCA.

A verdade é que a intervenção da APCA deixou Amy encantada. "Foram uns anjos que me apareceram,", desabafa a norte-americana, que assim se sentiu encorajada para continuar por cá a fazer a sua investigação, sempre acompanhada pela sua Nikka.

A APCA é a entidade em Portugal que certifica cães de assistência na área de "Medical Dogs", animais que apoiam pessoas com problemas de diabetes, mobilidade reduzida, epilepsia, autismo ou outro tipo de problemas. Em alguns casos, estes animais já ajudaram a salvar vidas, dando o alarme quando os donos se encontram em situação de risco.