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Ponte Vasco da Gama não cumpre objetivos

Ponte Vasco da Gama não cumpre objetivos

A Ponte Vasco da Gama, que liga Lisboa à Margem Sul, assinala 20 anos no final do mês, mas continua aquém do objetivo de retirar tráfego à Ponte 25 de Abril. Há duas décadas, estimava-se que a segunda travessia sobre o Tejo haveria de receber 132 mil carros por dia, mas tal nunca aconteceu.

Em dezembro de 2017 registaram-se 60 552 contra as 135 213 que preferiram a 25 de Abril, segundo o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT). Esta é uma obra que continua a dividir autarcas e a puxar pelas palavras mais duras dos ambientalistas.

"Antes da ponte, os concelhos de Almada, Seixal, Barreiro, Moita e Sesimbra eram responsáveis por 82% do tráfego que atravessava o Tejo em Lisboa; 16% diziam respeito ao Alentejo e Algarve, e 2% ao Montijo e Alcochete. Continua tudo na mesma, porque são precisamente os cinco concelhos de que primeiro falei os que pouco beneficiaram com a Vasco da Gama, já que as pessoas continuam a ter de usar a Ponte 25 de Abril, se não quiserem conduzir 60 quilómetros a mais", começa Joanaz de Melo, do Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e do Ambiente (GEOTA), uma das associações ambientalistas mais envolvidas em todo o processo. A ponte "teve muito pouca utilidade", defende.

O negócio do betão?

Jorge Gonçalves, vereador do Planeamento e da Mobilidade da Câmara do Seixal, um dos municípios da Margem Sul com mais população, corrobora essa perspetiva. "A construção da ponte não foi relevante para o Seixal, porque há uma enorme dificuldade de mobilidade entre concelhos e temos um grande problema só para chegar à ponte. Continuamos a usar a Ponte 25 de Abril".

Para o vereador, "a solução passaria pela terceira travessia do Tejo (TTT)" que ligaria Chelas, em Lisboa, ao Barreiro, na Margem Sul. Essa foi, aliás, uma obra que chegou a ter concurso lançado, tendo sido suspenso em 2011, em virtude da crise. Aparentemente, a TTT está fora de cogitação. Questionado sobre a sua viabilidade, o Ministério do Planeamento e das Infraestruturas respondeu que "atualmente, não existe qualquer projeto de uma nova travessia do Tejo em Lisboa".

"Ao construir-se uma ponte de utilidade tão fraca, já se estava a perspetivar a terceira travessia. Foi o negócio do betão a funcionar. Hoje, não temos terceira travessia nem rede de transportes públicos em condições", argumenta Joanaz de Melo.

Os municípios que cresceram

Mas houve municípios que assinalaram crescimento, como, por exemplo, o Montijo ou Alcochete, ainda que estes representem "2% do tráfego que faz a travessia sobre o Tejo em Lisboa".

"Somos 17 mil, antes 10 mil", adianta Fernando Pinto, presidente da Câmara de Alcochete, acrescentando, porém, que o crescimento "não foi acompanhado de mais forças de autoridade, ou serviços de saúde e educação".

Já para Nuno Canta, presidente do Montijo, "esta é uma obra para ser recordada". "A Vasco da Gama representa mais pessoas, mais economia e mais participação na economia da região de Lisboa".

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