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Reitor de Lisboa fala em situação de "alarme" no alojamento universitário

Reitor de Lisboa fala em situação de "alarme" no alojamento universitário

O reitor da Universidade de Lisboa defendeu esta terça-feira no parlamento que se vive uma situação de "alarme" no alojamento universitário e que não se lembra de "uma situação tão grave desde o 25 de Abril" de limitação de acesso ao ensino superior.

O reitor da Universidade de Lisboa (ULisboa), António Cruz Serra, foi hoje ouvido pela comissão parlamentar de educação e ciência, a pedido do PSD, que requereu a audição depois de o reitor ter feito fortes críticas à política para o ensino superior do ministério tutelado por Manuel Heitor num discurso na cerimónia de despedida do Presidente da República da instituição onde foi durante décadas professor de Direito.

Para Cruz Serra, o problema afasta muitos potenciais estudantes do ensino superior, uma vez que as famílias não têm capacidade de suportar os custos inerentes, nomeadamente o arrendamento de quartos, face à escassez de oferta em residências públicas.

E defendeu que a questão não se resolve com "concessões a privados, que manterão os preços altos", sendo antes necessário "inundar o mercado" com residências públicas, uma posição elogiada pelo deputado do Bloco de Esquerda Luís Monteiro, que entende que a solução para o problema não passa por parcerias público-privadas e que "é importante que sejam também reitores a insurgir-se contra algumas dessas ideias peregrinas".

Cruz Serra apelou ainda para que seja possível às universidades fazerem ajustes diretos na contratação de projetos de arquitetura para residências universitárias, dando como exemplo o prazo decorrido nos procedimentos concursais já abertos pela ULisboa para a construção de três novas residências afetas à instituição, e cujos prazos decorridos variam, até agora, entre 262 dias e os mais de 500.

"É preciso agilizar o processo, com o controlo que quiserem", disse o reitor aos deputados, acrescentando: "Não nos podemos dar ao luxo de atrasar a construção de residências".

O reitor pronunciou-se ainda sobre o corte de vagas em Lisboa e Porto, um dos alvos do discurso crítico ao Governo, insistindo na condenação da medida, que diz não ter produzido qualquer resultado, referindo que, pelo contrário, nas duas primeiras fases de acesso ao ensino superior pelo concurso nacional, as instituições do interior perderam alunos este ano.

"Não acompanho uma política de redução de vagas à força", disse o reitor, que entende que a medida desperdiça a capacidade instalada nas universidades para acolher mais alunos e que não dá liberdade aos estudantes e famílias para escolher onde estudar.

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