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Junta de Freguesia de Arroios reduzida ao presidente

Junta de Freguesia de Arroios reduzida ao presidente

A Junta de Freguesia de São Jorge de Arroios, em Lisboa, está sem Executivo, liderado pela coligação PSD/CDS-PP. O último a bater com a porta foi o elemento centrista, que assegurou os salários dos funcionários no último mês. A Junta resume-se agora a um só homem: João Taveira, o presidente.

O cenário levou, esta terça-feira, o líder do PS na Assembleia Municipal de Lisboa, Miguel Coelho, a pedir eleições intercalares naquela freguesia, onde a "Coligação para Lisboa" - com o PSD, CDS-PP, MPT e PPM - obteve uma vitória tangencial em 2009.

"Os partidos eleitos deviam renunciar aos seus mandatos", alertou Macedo, para quem é urgente "resolver uma situação que não devia acontecer na cidade". Porém, do lado do PSD, o deputado António Prôa remeteu para órgãos autárquicos a resolução do imbróglio.

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"Não é correcto abrir um precedente", considerou Prôa, reafirmando que é intenção dos sociais-democratas que a Junta de Freguesia volte a funcionar em pleno.

Desde 2009 que o relacionamento entre Executivo de João Taveira (PSD) e a Assembleia de Freguesia, presidida por Joaquim Costa (PS),se tem deteriorado, com este último a não convocar parte das quatro reuniões obrigatórias anuais. Tal situação tem levado a que as contas e orçamentos da Junta nem sequer sejam aprovados, colocando-a a ser gerida com base em duodécimos.

Porém, o relacionamento entre os vários membros do executivo também implodiu, com Taveira a obrigar à saída de dois elementos, o tesoureiro António Vergueiro e a vogal Isabel Silva - do PSD e independente, respectivamente.

Ao JN, João Taveira garantiu que foi o primeiro a pedir eleições intercalares na sua freguesia. "É estranho a posição do Partido Socialista porque quem se bate pela resolução deste problema, há muito tempo, sou eu. Ou acha que alguém quer estar à frente de uma freguesia em que se tem de cortar em tudo, porque se está a viver com um orçamento limitado?", reagiu.

"Os dois elementos que foram afastados deram quatro faltas injustificadas. Solicitei a justificação, que não me deram, e remeti a situação, por escrito, à Assembleia de Freguesia. Em resposta, o senhor presidente da Assembleia fez "vista grossa" e o que fez? Aconselhou tais elementos a pedir a renúncia e a manterem-se como eleitos na Assembleia", contou.

Segundo Taveira, os dois autarcas acabaram, alegadamente, por se associarem aos sete elementos dos partidos de Esquerda - cinco do PS, um do PCP e outro do Bloco de Esquerda. À coligação de Direita apenas restaram quatro (dois na Assembleia e outros dois na liderança da Junta, entre os quais ele próprio).

"Temos de ir para eleições, até para poder provar que o resultado do PS (33,8%) foi uma aldrabice e haver estabilidade governativa", assegurou Taveira, que de consensual, mesmo dentro do PSD, não tem nada.

Para CDS "paciência esgotou-se".

Já depois das eleições autárquicas, há dois anos, o presidente da Junta de São Jorge de Arroios acusou o seu ex-tesoureiro de lhe incendiar a casa e matar os cães. Aliás, Taveira até foi mais longe e acusou Rodrigo Neiva de se apropriar de 25 mil euros da Junta. Pelo meio de tantas acusações, houve ainda espaço para a denúncia do desaparecimento de actas de reuniões daquela autarquia e de aumentos ilícitos de salários e avenças a favor de Neiva.

O social-democrata é agora o único à frente de um Executivo que, na prática, já não existe, após a saída do secretário António Prazeres Costa, do CDS-PP.

Assim como António Prôa, João Gonçalves Pereira, presidente da concelhia de Lisboa dos centristas, defendeu, ao JN, que a solução em Arroios terá de passar "pelos órgãos locais eleitos".

"O CDS espera que a Assembleia de Freguesia convoque as reuniões que deve, de modo a que se encontre um novo executivo. A resolução deste problema passa, obviamente, por aí. Quanto ao elemento do CDS que saiu, fê-lo depois de estarem assegurados os vencimentos dos funcionários", explicou Pereira.

"A nossa paciência esgotou-se. Alguém tem de assumir as consequências e fazer aquilo que já deveria ter sido feito há muito tempo", acrescentou, numa clara alusão à falta de reuniões marcadas pelo presidente da Assembleia de Freguesia.

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