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Manuel Salgado demite-se da Sociedade de Reabilitação Urbana

Manuel Salgado demite-se da Sociedade de Reabilitação Urbana

O presidente da Lisboa Ocidental SRU - Sociedade de Reabilitação Urbana, Manuel Salgado, pediu a demissão do cargo esta manhã de quinta-feira, apurou o JN junto de fontes autárquicas.

O ex-vereador do Urbanismo de Lisboa foi constituído arguido no âmbito de um processo judicial cuja investigação incide sobre o impacto na paisagem do Hospital CUF Tejo, em Alcântara, um projeto aprovado no decurso das suas funções como vereador. É esta a justificação que apresenta para a demissão numa carta endereçada ao presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina.

Salgado não assume, porém, a prática de qualquer ato ilícito. "Entendo que este é o procedimento correto a adotar, sem que isso envolva o reconhecimento da prática de qualquer ato ilícito, que rejeito veementemente. Será em sede própria, no momento oportuno, e pelos meios que se encontram ao meu alcance, que me irei defender, repor a verdade dos factos e reagir contra atentados à minha honra e bom nome", lê-se na missiva de Salgado para Medina, a que o JN teve acesso.

O ex-vereador do Urbanismo diz que "é com mágoa" que toma a decisão de se demitir e diz mesmo que esta "talvez não seja a decisão mais racional". Está, no entanto, "convicto" de que não cometeu "nenhuma ilegalidade" e que nunca beneficiou "nenhum interesse particular". "Foi um trabalho intenso, no qual coloquei sempre o interesse público como prioridade. (...) Fui contra interesses pessoais, colidi com a perceção de direitos inexistentes, pus em causa ideias feitas, colidi com egos, tendo, por isso mesmo, criado inimizades e "antipatias". Fica menos exposto quem não faz ondas do que quem arrisca a mudança", escreve.

Salgado lembra ainda os últimos treze anos dedicados à causa pública e "à minha cidade" pela qual trabalhou "arduamente e pro bono". Diz que sai "com o sentimento de dever cumprido, mas convicto que muito mais podia dar no futuro" e que "algo vai muito mal no mundo da política e da justiça", criticando o sistema judicial português.

Em julho de 2019 Salgado abandonou o cargo de vereador da Câmara de Lisboa, que ocupava há 12 anos, tendo sido necessário votar a sua continuidade à frente da SRU, a empresa responsável pela maioria das obras mais emblemáticas e de maior investimento da autarquia de Lisboa, muitas das quais polémicas.

O inquérito judicial relacionado com a aprovação da obra do Hospital CUF Tejo, pouco consensual pela sua volumetria e consequente impacto visual numa zona com vista para o rio Tejo, teve origem numa queixa feita há cerca de um ano e em causa estão os potenciais crimes de prevaricação e violação de norma urbanística.

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