Lisboa

Marcelo agradece pessoalmente a sem-abrigo que resgatou bebé do lixo

Marcelo agradece pessoalmente a sem-abrigo que resgatou bebé do lixo

O presidente da República elogia o "gesto cívico e humano" do sem-abrigo que, na terça-feira, retirou um bebé recém-nascido de um caixote do lixo em Lisboa. E quis conhecê-lo pessoalmente para lhe agradecer.

"Mais do que um gesto cívico foi um gesto humano", disse Marcelo Rebelo de Sousa, esta quinta-feira, à saída da cimeira Web Summit, no Parque das Nações, em Lisboa, sobre o caso do bebé que foi retirado de um caixote do lixo, na terça-feira, por um cidadão sem-abrigo.

"Quero conhecê-lo e agradecer-lhe pessoalmente", acrescentou o chefe de Estado, destacando o gesto de alguém que sobrevive na rua e salva uma vida humana. E pouco depois, pelas 18 horas, já Marcelo estava com o sem-abrigo no local onde o bebé foi resgatado, na zona do Beato.

Numa conversa emotiva, Manuel contou como ouviu um barulho que, primeiro, pensou ser de um gato. Depois, quando viu o bebé, ficou em choque - "estava muito gelado". Sentiu "raiva" por alguém ter abandonado o recém-nascido e ao mesmo tempo "alegria" por o ter encontrado.

"Quis agradecer", explicou Marcelo. "É um exemplo de humanidade de uma pessoa com uma vida que é tudo menos fácil", sublinhou. O presidente indicou que já tinha visto as imagens do resgate, "mas contado por ele [o sem-abrigo] ainda é mais impressionante", considerou.

Foi precisamente nessa noite de terça-feira que Marcelo Rebelo de Sousa ajudou a distribuir refeições nas ruas de Lisboa a um grupo de pessoas sem-abrigo.

O bebé, do sexo masculino, "está bem" e "saudável" por isso já deixou os cuidados intensivos do Hospital Dona Estefânia e está internado na Maternidade Alfredo da Costa.

"Não sabendo o que se passou, ninguém diria o que lhe aconteceu", confessou, esta quinta-feira, em conferência de imprensa, o chefe da unidade de cuidados intensivos neonatais do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, onde o bebé deu entrada na terça-feira. "Em termos físicos está bem", "é um bebé saudável" e está a ser alimentado normalmente por biberão, acrescentou ainda Daniel Virella.

O bebé pode ter alta nas próximas 48 horas, mas isso depende da decisão do Estado para o acolher, nomeadamente da Comissão de Proteção de Crianças Jovens (CPCJ). "Clinicamente não há nada que impede de ter alta", disse o médico.