Protagonista

O cantoneiro mais elogiado do Parque das Nações

O cantoneiro mais elogiado do Parque das Nações

Vítor Santos diz que tem o hábito de "trabalhar bem" e que a organização contribui para os bons resultados.

De sorriso tímido e um entusiasmo contagiante, Vítor Santos verifica a vassoura e os sacos do lixo, ajeita a farda e, assim que segura no carrinho de mão, é num ápice que o deixamos de ver. As tarefas do dia estão bem planificadas e não há tempo a perder. É esta forma de pensar e "o hábito de trabalhar bem" que fazem dele o cantoneiro mais elogiado do Parque das Nações, em Lisboa. "Não gosto de fazer um mau trabalho. Fico maldisposto", confessa.

De passada rápida e olhar atento, Vítor consegue encontrar um papel escondido debaixo de uma carrinha ou uma casca de banana num recanto de um muro onde ninguém deu por ela. "É a prática", diz, entre risos. Varre folhas, muda sacos das papeleiras e apanha lixo que não era suposto estar no chão. Mas não se importa. "Não levo a mal que não deitem nos caixotes. São humanos, não é?", tolera. É na Avenida D. João II, uma das principais, onde perde mais tempo. "As pessoas deixam cair muitos bilhetes do estacionamento ao chão e tenho de os apanhar", conta.

Natural de Angola, em Portugal há três décadas, começou a trabalhar nas obras e, mais tarde, desempregado, decidiu limpar uma igreja voluntariamente. "Foi aí que ganhei o gosto", recorda. É cantoneiro há cinco anos e, no Parque das Nações, há um ano, quando a Junta de Freguesia contratou a empresa Luságua para os serviços de limpeza. Desde então, ainda não parou de receber comentários positivos. "Aqui já passou o Vítor", ouve muitas vezes.

Delineia os trajetos na sua cabeça, sabe o nome das ruas de cor e onde deve passar mais ou menos tempo a limpar. Uma organização que contribui para os resultados. "Os meus colegas já estão cansados antes de começarem porque não planificam", acredita. Na rua, sente "mais liberdade". "Não há um chefe a pressionar-me e faço a minha gestão. Sou feliz", diz.