Lisboa

Passos inspirado por Singapura passou pelo último dia da Feira do Livro

Passos inspirado por Singapura passou pelo último dia da Feira do Livro

Tempo fosco, um primeiro-ministro "inspirado" pelo regime de Singapura que acabou por sair sob vaias e um sucesso comercial declarado por editores e livreiros marcaram este domingo o último dia da Feira do Livro de Lisboa.

Ao chegar à feira, Pedro Passos Coelho, que guardou para o último dia uma visita ao certame, foi dizendo que o último livro que o marcou foi "o do presidente de Singapura", que demonstra "a transformação" que o país fez nos últimos anos.

"Inspirador, embora Singapura seja evidentemente um regime autocrático, o que não é exatamente o que nós desejamos para Portugal", declarou Pedro Passos Coelho, para quem "os livros fazem parte dos hábitos de leitura e de compra".

Recusando responder a mais perguntas por considerar que não era local próprio para "conferências de imprensa", Passos Coelho seguiu rua acima, antes de mais à frente ser vaiado por alguns manifestantes do movimento Primavera Global, acampados no Parque Eduardo VII, um momento capturado por algumas câmaras de televisão.

Segundo o editor Luís Oliveira, da Antígona, a feira tem "balanço positivo".

"As pessoas guardaram o dinheiro para os livros, o que prova que estão a travar o consumo supérfluo", defendeu, considerando que apesar de "o mundo estar cheio de mercadoria que é lixo", os visitantes "souberam compreender que o livro pode dar muitas respostas neste momento em que estão ansiosas e preocupadas com o destino do comboio da História".

Zita Seabra, da Alêtheia, afirmou também que "a feira foi muito positiva para os editores", acrescentando que "a esta subida de vendas é o reflexo do número de gente cada vez maior que lê e tem hábitos de leitura e compra de livros".

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A editora afirmou que para isso também contribuíram as promoções feitas pelas empresas nos livros que comercializam, "como é natural nos outros produtos de grande consumo".

De negativo, Zita Seabra apontou "alguns dias de chuva que prejudicaram a feira".

Foi o que levou mais de cinquenta editores e livreiros a assinarem um abaixo-assinado reclamando que a feira de Lisboa volte a realizar-se em fins de maio e princípio de junho, para evitar o mau tempo.

"As pessoas passaram aqui muito frio e chuva", afirmou Luís Oliveira, acrescentando que os "relvados formidáveis" do Parque Eduardo VII acabaram por ser "anulados" pelas condições atmosféricas que impediram em muitos casos os visitantes de desfrutarem deles.

Por isso, "todos assinaram a favor da mudança da feira para as datas que sempre foram", afirmou, garantindo que "nunca mais fazem a feira em abril".

Muitos visitantes iam de sacos aviados, mas Maria da Conceição, de mãos vazias, explicou à Lusa que não encontrou nas bancas "nada que chamasse a atenção e pudesse aproveitar".

"Esta até é a terceira vez que cá estou, dei uma vista de olhos mas não comprei nada", referiu.

Ao contrário, Alberto e Anabela Ribeiro levavam um livro cada um: o último título do cientista António Damásio e a biografia de Helena Sacadura Cabral.

Fizeram escolhas criteriosas porque o impacto da crise também se reflete no orçamento familiar para cultura: "se vier com os meus dois filhos, já é difícil comprar quatro livros...fica um bocadinho pesado porque há livros bastante caros", referiu Anabela Ribeiro.

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