Lisboa

Prédio de estudantes onde houve derrocada pode ter de ser demolido

Prédio de estudantes onde houve derrocada pode ter de ser demolido

Pelo menos 50 estudantes universitários, na sua maioria estrangeiros, ficaram desalojados depois de a fachada lateral do prédio onde residem, no centro de Lisboa, ter desabado, na quarta-feira à noite.

Jirí, estudante universitário de Erasmus, em Portugal há três meses, estava a trabalhar no quarto quando ouviu um som "como se algo estivesse a desmoronar". "Comecei por ouvir um 'crack' e depois um 'boom'. Foi tudo muito rápido. Só me lembro de agarrar no meu telemóvel e começar a correr", conta ao JN. Jirí é um dos residentes do número 120 da Avenida Elias Garcia. Na quarta-feira à noite, por volta das 20 horas, as traseiras deste edifício, onde funciona uma residência universitária, desabaram, deixando mais de 50 estudantes desalojados. Não há registo de feridos e o JN sabe que o prédio poderá ser demolido por correr o risco de ruir. Pelas 13.30 horas, os estudantes vão entrar nas habitações para recolherem os seus pertences.

Na residência universitária moram 80 alunos, a maioria ao abrigo do programa Erasmus, mas apenas 50 foram identificados. Passaram a noite na Pousada da Juventude, em hostels ou em casas de amigos. Por questões de segurança, os imóveis contíguos, entre os números 120 e 130 (correspondentes a dois prédios) estão interditos desde ontem à noite. Esta quinta-feira de manhã, foram realizadas vistorias para avaliar as condições de segurança e os resultados deverão ser conhecidos nas próximas horas. Uma creche e uma lavandaria, localizadas no número 126, também estão fechadas por questões de segurança. Albertina Mesquita, funcionária da lavandaria há 22 anos, só se apercebeu do incidente esta manhã. "Cheguei aqui e vi o prédio assim", diz comovida e preocupada. Agora, não sabe o que vai fazer. "Vou para casa e esperar por novidades", diz desconsolada.

Moradores da zona, que também preferiram manter o anonimato, acreditam que a origem da derrocada poderá estar relacionada com a "estrutura de ferro que sustenta há mais de 15 anos a fachada do prédio ao lado", do mesmo proprietário. "Isto está assim abandonado e ninguém faz nada, há aqui negligência de certeza", disse um residente da zona.

As dezenas de inquilinos, concentrados esta manhã em frente ao local do incidente, garantem que já tinham alertado o senhorio para a existência de rachas no prédio e alguns acusam-no de "negligência" e "falta de manutenção". A maioria preferiu manter o anonimato com medo de sofrer represálias do senhorio que, segundo o JN conseguiu apurar, não está a colaborar muito com os estudantes na procura de soluções alternativas. Foi a Câmara de Lisboa que assegurou o realojamento dos estudantes esta noite.

Por volta das 14.30 horas, o vereador da Proteção Civil, Carlos Castro, da Câmara de Lisboa, fala aos jornalistas.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG