Lisboa

Promotora suspende concerto de rapper homofóbico

Promotora suspende concerto de rapper homofóbico

É oficial. A JahLive, promotora do espetáculo em Lisboa de Sizzla Kalonji, o rapper jamaicano que durante anos incitou à violência contra os homossexuais, anunciou esta tarde de quinta-feira a suspensão do concerto, agendado para 5 de abril, após um coro generalizado de protestos.

A empresa adiantou ainda, ao JN, que vai reunir na sexta-feiracom os representantes dos 14 movimentos e associações dos direitos humanos em Portugal, entre eles a União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) e a Federação Distrital do Porto da Juventude Socialista, que esta quinta-feira emitiram um comunicado a exigir o cancelamento do concerto, que estava marcado para a Sala TMN ao Vivo.

Tiago Romão, da JahLive, admitiu não entender os protestos nos últimos dias contra o rapper que, pelas mesmas razões, viu cancelados vários concertos na Europa - Barcelona e Estocolmo foram ontem as duas cidades a banir o cantor.

"Estamos muito agastados com isto tudo e com tantos jornais a falarem disto. É incrível! O Sizzla comprometeu-se que no espetáculo não iria usar qualquer linguagem homófoba. Não percebemos porque é que estas pessoas se manifestam", garantiu.

"Estão envolvidos milhares de euros mas por respeito a estas associações, que não imaginava que fossem tantas, decidimos suspender o concerto. Amanhã (sexta-feira) esperamos conseguir chegar a um acordo", acrescentou.

O anúncio da empresa surge depois de a TMN ter divulgado que a sala do espetáculo, apesar de ter a denominação da operadora de comunicações nacionais, não é propriedade da empresa e que o concerto não tinha o seu apoio. A Sala TMN ao Vivo é da empresa Armazém F.

Já esta quinta-feira, os 14 movimentos e associações, como a ILGA e Associação de Mães e Pais pela Liberdade de Orientação Sexual, além de algumas personalidades e ativistas, entre elas a realizadora Raquel Freire, subscreveram uma denuncia em que apontam a obra do rapper como "um claro incitamento a crimes de ódio, num país em que a Constituição proíbe a discriminação com base na orientação sexual e onde estes crimes com motivação homofóbica são considerados particularmente gravosos pelo nosso enquadramento penal".

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"Boom boom! Os maricas devem morrer", é um dos trechos compostos pelo jamaicano que os contestatários lembram no documento.

"A JahLive não pode deixar de cancelar a vinda de Sizzla a Portugal, único sinal claro de que respeita os direitos humanos. Só assim esta empresa cumprirá a Constituição da República Portuguesa, nomeadamente o seu 13º artigo, e dará um sinal claro de que não compactua nem promove a discriminação com base na orientação sexual nem o incitamento ao ódio", concluem.

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