Lisboa

Santa Maria vacinou 100 profissionais na primeira hora

Santa Maria vacinou 100 profissionais na primeira hora

O hospital de Santa Maria, em Lisboa, vacinou cerca de uma centena de profissionais de saúde na primeira hora da campanha de vacinação contra a covid 19.

A administração das vacinas arrancou pelas 10.30 horas e abrange profissionais do Centro Hospitalar de Lisboa Norte (CHLN), que também inclui o hospital Pulido Valente. Este domingo, deverão ser vacinados, ao todo, 430 profissionais. Na segunda e na terça-feira, serão mais cerca de 640 os vacinados por dia até perfazer o total de 1610 abrangidos nesta primeira fase.

A médica Sandra Brás, coordenadora da unidade de internamento de doentes com gravidade moderada, foi uma das primeiras. Tinha a primeira senha. "Estamos muito cansados. É uma luz ao fundo do túnel", disse aos jornalistas.

A vacinação decorre nas instalações da cirurgia experimental, transformada num centro de vacinação. Há oito gabinetes onde as vacinas são administradas, depois de os profissionais preencherem um questionário clínico. Na primeira hora, apenas um dos profissionais convocados não recebeu a vacina por já ter contraído covid-19. Recorde-se que estes casos não são elegíveis para receber a vacina nesta fase.

Existe ainda uma sala "de recobro", na qual os profissionais aguardam cerca de meia hora após receberem a inoculação, por precaução, caso se verifiquem efeitos secundários graves. Os profissionais ouvido pelo JN o relataram nenhum efeito adverso até àquele momento.

"Longo caminho a percorrer"

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Para Sandra Brás, a vacinação é o início de "um longo caminho a percorrer". "Temos de encarar isto de uma forma responsável, não baixar os cuidados. Temos muitos meses pela frente. Ainda estamos muito longe de voltar à vida normal", apelou a profissional.

Na sua opinião, irão verificar-se "reações adversas graves". Mas em número muito reduzido, a fazer fé nos ensaios clínicos. Mas, "não podemos ter medo, não pode ser isso que nos leva a não vacinar", frisou a médica.

Os dados da administração indicam que 90% dos profissionais de saúde se mostraram disponíveis para serem vacinados nesta primeira fase. Os restantes na seguinte. As razões são várias. Segundo Ana Paula Ferreira, enfermeira diretora, desde licenças de maternidade e de casamento a situações clinicas que aguardam pelo parecer do médico assistente.

Dos cerca de seis mil profissionais do CHLN, esta primeira fase vai abranger os profissionais das unidades de cuidados intensivos com doentes com e sem covid-19, das urgências gerais, pediátricas e de obstetrícia, e de todas as enfermarias de doentes com covid-19. Também serão vacinados todos os profissionais que estão a vacinar os colegas.

Daniel Ferro, presidente do Conselho de Administração do CHLN, adiantou aos jornalistas que as vacinas são previamente preparadas pelo serviço de farmácia, para que cheguem já ao posto de vacinação em condições de serem ministradas." É um processo progressivo", dentro de três semanas, estes profissionais receberão a segunda dose.

Regressar a "alguma normalidade"

Rafael Inácio, médico pediatra, era um dos que aguardavam pela vacina. Em declarações ao JN disse estar "expectante" em relação ao processo. "É um ótimo sinal para regressarmos a alguma normalidade". Por as crianças, até agora, terem sido as idades mais poupadas pelo SARS-CoV-2, o trabalho no seu serviço "tem sido relativamente tranquilo".

Acabado de sair do "recobro", Tiago Vieira, assistente operacional nos cuidados intensivos de doentes covid-19, sentia-se "bem" e a vacina vai trazer-lhe "mais segurança" nas funções que desempenha. Por prestar assistência aos doentes mais graves, deixa a mensagem que estes casos deviam servir de exemplo a quem está mais reticente em receber a vacina. "A começar pelos familiares, para se protegerem a si e aos outros".

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