Pandemia

União Zoófila acusa Câmara de Lisboa de divulgar informação "falsa" em cartaz  

União Zoófila acusa Câmara de Lisboa de divulgar informação "falsa" em cartaz  

A União Zoófila denunciou, ao final da manhã desta terça-feira, nas redes sociais, a Câmara de Lisboa por utilizar "abusivamente" e "sem o seu consentimento" o nome desta associação num cartaz. "É um puro golpe publicitário e campanha eleitoral, é muito triste", criticou Mafalda Ferreira, secretária da direção da União Zoófila ao JN.

O outdoor anuncia "um novo abrigo para cães e gatos" no Parque Urbano do Vale do Forno, em Lisboa, para a União Zoófila e a Associação Focinhos e Bigodes, transmitindo a ideia "falsa" de que já foi feito um acordo entre estas associações e a Câmara de Lisboa.

A União Zoófila está instalada em terrenos municipais, em Sete Rios, há 70 anos, e a Câmara de Lisboa tem outros planos para aquela zona, mas as duas entidades ainda não chegaram a consenso quanto à futura localização da associação.

"Desde há cerca de 20 anos que somos contactados para a relocalização da União Zoófila. Nunca nos opusemos a sair de lá, mas têm de ser asseguradas condições de segurança e saúde para os animais", explica Mafalda Ferreira. O Parque Urbano do Vale do Forno não será o sítio ideal porque está em cima de um aterro sanitário.

"A Câmara de Lisboa enviou-nos um contrato em junho que ainda não assinamos. Pusemos as nossas condições em relação à segurança e esperávamos uma resposta, pois não assinaremos o contrato sem nos ser dada a garantia de que os animais não vão para ali e passado pouco tempo terão problemas de saúde, uma vez que o terreno está localizado num aterro sanitário", explica Mafalda Ferreira.

Em vez de uma resposta às suas preocupações, a associação foi surpreendida ontem, segunda-feira, pelo cartaz "como se já tivéssemos assinado o contrato". "Tivemos logo sócios que nos questionaram, perguntaram-nos se tomamos uma decisão deste calibre sem os consultar. A Câmara de Lisboa também pôs em causa o bom nome da direção e a sua prática, algo que não podemos admitir", critica ainda.

A União Zoófila, que acolhe 600 animais e onde trabalham centenas de voluntários, exige a remoção do cartaz "altamente enganoso" e que "sejam retomadas as conversações para chegarmos a um bom porto".

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Na publicação partilhada nas redes sociais, que já conta com mais de 800 partilhas, a associação sem fins lucrativos escreve que o outdoor "é uma represália à recusa da associação em assinar um protocolo de intenções com a Câmara de relocalização do seu abrigo, sem conhecer e acordar previamente as condições físicas, funcionais e jurídicas em que a relocalização teria lugar e as condições de segurança e saúde para as pessoas e para os animais do local em questão: um aterro sanitário com infraestruturas de gás metano, de lixiviados e de proteção danificadas".

Ainda segundo a associação, a autarquia lisboeta "ignora e desrespeita o trabalho que a União Zoófila e centenas de voluntários com a ajuda da sociedade civil fazem há muitas décadas na cidade de Lisboa, em prol dos animais domésticos vítimas de negligência e maus tratos". "Os cerca de 600 animais que protegemos não são veículo de propaganda política", escreve ainda.

Câmara admite colocação "indevida"

A Câmara de Lisboa admite que a colocação do cartaz foi "indevida" e que "já procedeu à retirada do outdoor". "A Câmara Municipal de Lisboa tem identificada, no âmbito do projeto do Parque Urbano do Vale do Forno, uma localização para a construção das novas instalações da União Zoófila. A Câmara de Lisboa tem mantido um diálogo com a União Zoófila ao longo do tempo para serem consensualizados alguns aspetos desta solução, tendo a colocação do outdoor sido, por isso, indevida", reconhece ao JN.

"A União Zoófila, a par dos seus voluntários, tem desenvolvido ao longo dos anos um trabalho notável em prol do bem-estar animal. É reconhecido por todos a necessidade de dotar a associação de melhores instalações para a prossecução da sua meritória missão. A Câmara mantém o propósito de prosseguir as conversações com a União Zoófila para ir ao encontro das preocupações por esta associação manifestadas e já procedeu à retirada do outdoor", escreve ainda.

PAN reage

O PAN já reagiu nas redes sociais. "Não foi firmado nenhum acordo entre a União Zoófila e Focinhos e Bigodes com a autarquia. Trata-se de um total abuso de poder, que serve apenas para fazer propaganda política e pressionar as associações a aceitarem a relocalização para este terreno, sobre o qual não conhecem ainda sequer as condições", criticou.

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