Lisboa

Vai nascer uma nova marginal junto ao Terreiro do Paço

Vai nascer uma nova marginal junto ao Terreiro do Paço

A frente ribeirinha central de Lisboa vai ser totalmente requalificada. Entre a Praça do Comércio e o Terminal dos Cruzeiros vão surgir passeios, ciclovias e esplanadas.

Dentro de um ano, a marginal junto ao rio Tejo, que liga o Terreiro do Paço ao Terminal dos Cruzeiros, estará completamente diferente. Ali, vão nascer novos percursos pedonais e cicláveis, quiosques, lojas, restaurantes, zonas verdes e esplanadas. A antiga Estação Sul e Sueste, agora abandonada, e a Doca da Marinha, até agora vedada ao público, vão ser requalificadas e devolvidas à capital.

A recuperação desta zona "já é um velho sonho da cidade", frisou o presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Fernando Medina, ao final desta manhã na apresentação do projeto de reabilitação da frente ribeirinha. As obras custarão 27 milhões de euros, dos quais 16 milhões provêem da taxa turística e 11 milhões da Associação de Turismo de Lisboa (ATL).

"Este investimento não é só para o turismo, mas também para os lisboetas e as dezenas de milhares de pessoas que chegam aqui todos os dias de barco, a um dos principais pontos de chegada da cidade", garantiu Medina.

Quem percorre o trajeto entre o Cais das Colunas e a Estação Sul e Sueste, agora vê máquinas e materiais das obras e uma antiga estação em ruínas. Mas até ao segundo semestre de 2020, já nada disto existirá.

A Estação Sul e Sueste vai recuperar o traço original de 1929 e acolher uma cafetaria, um quiosque, um restaurante, esplanadas, um posto de informação e uma loja. "Durante muito tempo envergonhou-nos, era uma ferida aberta mesmo em frente ao coração da cidade", admitiu Medina, referindo-se à estação em ruínas.

Dentro da estação recuperada, haverá ainda um terminal de apoio aos passeios no Tejo, oito bilheteiras, e o Centro Tejo - um espaço dedicado a exposições sobre o património do estuário do rio. Na ala nascente da Praça do Comércio surgirá ainda o "Bacalhau Story Centre", um espaço em homenagem à "história da ligação dos portugueses ao mar e à pesca do bacalhau".

Doca da Marinha

Na Doca da Marinha, entre a Estação Sul e Sueste e o novo Terminal, vai nascer um novo espaço ajardinado, um restaurante, quatro quiosques com esplanadas, casas de banho públicas e um posto de informação. Durante décadas, a doca foi "um sítio vedado, com um muro alto, destinada apenas a operações da Marinha Portuguesa", lembrou Medina.

A ideia agora é demolir a vedação e "devolver as vistas sobre o rio à cidade", prometeu ainda o autarca socialista. O navio creoula, construído em 1937 para a pesca do bacalhau, também vai ser recuperado e modernizado e ter um espaço de ancoragem nesta doca, no novo Cais de Apoio à Atividade Náutica. Ao contrário das outras obras, a recuperação do navio não deverá estar pronta no próximo ano, disse Vítor Costa, diretor geral da ATL.

O aterro entre o Cais das Colunas e a praça da estação de metro do Terreiro do Paço - construído há mais de duas décadas por causa das obras do metropolitano de Lisboa - vai ser finalmente retirado. Os atuais dois pontões vão ser recuperados e nascerão ainda mais três com passadiços, para acolherem mais embarcações. O Muro das Namoradeiras, "ainda na memória de muitos", também será reconstruído de forma a repor-se o muro original até à Ribeira das Naus.

Fernando Medina disse que "durante muitas décadas a cidade viveu de costas voltadas para o rio" e que "tem sido feito um esforço contínuo e sistemático de recuperação da ligação de Lisboa ao Tejo". O autarca aproveitou ainda para recordar todas as obras de requalificação já executadas na frente ribeirinha central.

Entre estas, estão a requalificação da ribeira das Naus (ainda no mandato de António Costa), a requalificação do Cais do Sodré para poente, a obra do Terminal dos Cruzeiros, para nascente, e a requalificação do Campo das Cebolas. "Agora, quando esta obra estiver concluída teremos a frente ribeirinha totalmente renovada e requalificada.

Será devolvida às pessoas uma extraordinária zona marginal que vai do Cais do Sodré à Estação Santa Apolónia e a fruição entre a cidade e o rio", prometeu o presidente da Câmara de Lisboa.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG