Reestruturação

Zoo de Lisboa garante despedir funcionários "por mútuo acordo"

Zoo de Lisboa garante despedir funcionários "por mútuo acordo"

O Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos (SINTAB) acusou, esta semana, o Jardim Zoológico de Lisboa de despedir trabalhadores "de uma forma muito indigna" e de forçar os despedimentos.

O Zoo diz que está a fazer "uma reestruturação da empresa com alguns dos seus funcionários por mútuo acordo".

O Jardim Zoológico de Lisboa assegura que "os valores apresentados e acordados com os funcionários estão perfeitamente enquadrados dentro da atual legislação" e até "excedem os mesmos", e nega um despedimento coletivo.

O Zoo de Lisboa já despediu 14 funcionários. Tal como o JN noticiou na passada quarta-feira, 3 de março, vinte trabalhadores do Jardim Zoológico de Lisboa foram "pressionados pela administração a despedirem-se, tendo pelo menos 14 aceite saírem" e espera-se que mais 10 sejam também convidados a revogar o contrato.

"Estão a fazer uma limpeza aos trabalhadores de uma forma muito indigna. Propõe-lhes despedirem-se ou ameaçam extinguirem o seu posto de trabalho. As pessoas cedem perante a pressão", denunciou Rui Matias, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos.

O dirigente sindical criticou ainda a falta de apoio aos trabalhadores e disse não entender como o Zoo não recorreu a outros apoios do Estado. Ao JN, a empresa explica que teve "uma quebra muito acentuada nas visitas no último ano e neste contexto foram requisitados apoios sem sucesso, tendo sido inevitável recorrer a uma redução de custos operacionais e administrativos".

Os funcionários, alguns há mais de 30 anos na empresa, começaram a ser despedidos no mês passado. Segundo o sindicalista, vários têm funções estratégicas no Zoo e, quando este reabrir, temem que os cuidados aos animais fiquem comprometidos. "São tratadores, que estão com golfinhos, leões e ursos. Se despedirem estas pessoas, como vão conseguir estar abertos e tratar dos animais? Dedicaram a vida a isto e não sabem fazer outra coisa e agora estão a ser escorraçados", alertou.

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O Zoo nega também estas acusações e garante ao JN que "assume como prioridade inegável os interesses e segurança dos seus colaboradores, bem como de todos os seus animais". Avança ainda que o SINTAB não pediu "qualquer esclarecimento" à empresa.

Na segunda-feira, o sindicato vai reunir com o ministério do Trabalho e o Jardim Zoológico para propor um despedimento coletivo. Desta forma, os trabalhadores poderão ter acesso "pelo menos ao fundo de desemprego", acredita Rui Matias.

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