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Oeiras

Salva colega e doentes após apedrejamento

Salva colega e doentes após apedrejamento

Uma ambulância dos Bombeiros do Dafundo, que transportava três doentes, foi atingida, no sábado à noite, por uma pedra lançada de um viaduto, na A5, junto a Oeiras. Com os olhos cheios de estilhaços de vidro, a condutora teve sangue frio para evitar uma tragédia. Veja o vídeo

Cecília Teixeira, 29 anos, voluntária dos Bombeiros do Dafundo, confessa que se deitou como "vítima de um acidente" e acordou como "heroína". O sangue-frio que manteve no momento do impacto da pedra - que abriu um buraco no pára-brisas da ambulância com cerca de 10 centímetros de diâmetro - deixou-lhe a sensação de ter salvo quatro vidas, além da sua.

"Na altura, não pensei que fosse uma pedra, mas um tiro", recordou, ontem, ao JN, horas após o "grande susto" que viveu em plena A5. "Vinha a falar com a minha colega, ouvi o estrondo, fiquei com os olhos cheios de vidros e senti o carro a fugir. Felizmente, que não vinha ninguém a passar ao lado, porque não teria conseguido evitar uma colisão, com consequências imprevisíveis", acrescenta.

Após dominar a ambulância - que seguia com três doentes a bordo, no sentido Lisboa-Cascais, e encostar junto ao rail do lado direito, fora da faixa de rodagem - Cecília e a colega Ana Vilan, 21 anos, estagiária nos Bombeiros do Dafundo, só tiveram uma preocupação: tranquilizar os três doentes que transportavam. "A minha preocupação era o senhor, um doente do foro psiquiátrico, que estava sob efeito de medicação. Só tive medo que o efeito passasse e ele tentasse fugir", conta Cecília.

Pensava que era um assalto

Na traseira do veículo, Ana Vilan recorda que uma das doentes pensava tratar-se de um assalto. "Preocupei-me logo em tranquilizá-la". A jovem estagiária prestou, então, os primeiros cuidados à colega, enquanto o socorro não chegou. "Limpou-me os vidros dos olhos, porque, após o impacto da pedra e até encostar a ambulância, só via de uma vista e de forma limitada", conta Cecília.

Horas depois do acidente, a condutora confessou ao JN que foi "a preocupação em salvar as vidas dos doentes" que lhe garantiu o sangue-frio para evitar a tragédia. Cecília Teixeira, mãe de três filhos, com três, cinco e sete anos, confessa que só depois pensou no perigo que ela própria e a colega correram. "Primeiro, pensamos nos outros, depois em nós", diz, acrescentando a forte convicção de que este caso serviu "para reforçar" a sua própria vocação. "Vou continuar a fazer serviços e ainda vou salvar muitas vidas", promete.

Cecília Teixeira foi conduzida ao Hospital de Cascais, onde foi assistida. Os doentes seguiram no mesmo veículo, mas com outro condutor, para os hospitais da Parede e Cascais.

O comandante dos Bombeiros do Dafundo vai hoje apresentar queixa contra desconhecidos no Tribunal de Oeiras e pedir explicações à Brisa sobre a segurança da auto-estrada.

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