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Escavações revelam vestígios arqueológicos em Sintra

Escavações revelam vestígios arqueológicos em Sintra

A escavação para instalar novos contentores de resíduos urbanos no centro histórico de Sintra, junto ao palácio nacional, levou à descoberta de uma estrutura arqueológica.

"A obra iniciou-se com a retirada do alcatrão e, a cerca de um metro de profundidade, foi encontrada uma estrutura habitacional antiga, que apresenta azulejo. O que está identificado parece ser uma estrutura de casa de banho, dado que tem um ralo, perfeitamente definido", disse à agência Lusa o vereador Pedro Ventura, administrador dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Sintra.

O autarca admitiu que, com base nos elementos disponíveis, se trate de "uma estrutura típica de finais do século XIX e inícios do século XX".

"Os arqueólogos estão a limpar a estrutura e a alargar a vala para perceber se tem continuidade, ou não. Estão a proceder ao desenho e registo fotográfico e essa informação será enviada para a Direção Geral do Património Cultural [DGPC], para avaliar se a estrutura poderá ser desmontada, para se continuar a obra, ou se é uma estrutura fundamental e terá de ser mantida", explicou.

"A primeira impressão que temos é que a estrutura tem todas as condições para ser desmontada", acrescentou o vereador da CDU, considerando que, até ao momento, não se trata de "uma estrutura importante, enquadrada num monumento nacional, [e] tem a característica de uma estrutura algo rudimentar".

A empreitada dos SMAS insere-se no projeto de remodelação de contentores de resíduos sólidos urbanos na vila e destina-se a substituir os "moloks" (semienterrados) de junto da Igreja de São Martinho para perto do palácio nacional.

Segundo Pedro Ventura, o objetivo passa por retirar os "moloks" da entrada de "um monumento nacional e sítio de paragem de turistas" e, com a DGPC, foi encontrado "um sítio mais consensual, abdicando de algum estacionamento pouco antes do Hotel Tivoli, para colocar os contentores enterrados ao pé do muro do palácio, com enquadramento diferente".

Uma vez que a empreitada decorre no centro histórico, dentro da zona classificada Paisagem Cultural pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), os trabalhos obtiveram aprovação da DGPC e estão a ser acompanhados por um arqueólogo do Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas.

"Estamos a cumprir o plano nacional de trabalhos arqueológicos, que diz que as obras de escavação no centro histórico têm de ter acompanhamento", frisou o administrador dos SMAS.

Consciente de que o aparecimento de vestígios arqueológicos em "qualquer escavação na zona histórica é uma inevitabilidade", Pedro Ventura adiantou que os SMAS vão aguardar pela avaliação dos arqueólogos municipais e da DGPC para determinar o futuro da empreitada. "Não temos pressa, queremos que seja tudo feito com grande rigor", concluiu.

Os vestígios foram encontrados junto ao muro do antigo Paço Real, que possui referências à existência de uma estrutura palaciana no século XI, beneficiou de obras entre os séculos XIII e XVI, e se encontra classificado desde 1910 como monumento nacional.

Este texto da agência Lusa foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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