Incêndio

Fogo em Cascais fez 21 feridos e obrigou a retirar mais de 300 pessoas

Fogo em Cascais fez 21 feridos e obrigou a retirar mais de 300 pessoas

Há 21 feridos, mais de 300 pessoas retiradas e pelo menos uma casa ardida no incêndio que deflagrou sábado à noite na serra de Sintra e foi dominado este domingo de manhã.

O comandante Paulo Santos, oficial de operações da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC), adiantou à Lusa que o fogo foi dominado cerca das 12 horas, permanecendo no local mais de 700 operacionais, apoiados por 225 veículos e sete meios aéreos.

O fogo começou por volta das 22.50 horas de sábado na zona da Peninha, Sintra, e seguiu em direção ao concelho de Cascais com grande intensidade "influenciado pelo forte vento". O vento, com rajadas perto dos 100 quilómetros por hora, foi o principal obstáculo no combate.

O incêndio desceu a encosta da serra de Sintra e Cascais e, perto das 4 horas da manhã, estava a chegar à praia do Guincho.

Este domingo de manhã houve reforço de meios de combate, com a chegada de oito meios aéreos - quatro aviões anfíbios, dois helicópteros, um pesado e outro ligeiro foram acionados, além de um avião de reconhecimento.

Cerca das 07.45 horas, o incêndio estava a ser combatido por 740 operacionais, apoiados por 219 veículos.

Num ponto de situação às 13 horas, o comandante distrital de Lisboa da ANPC, André Fernandes, indicou que o incêndio provocou até ao momento "um total de 21 vítimas".

Entre as vítimas estão "10 operacionais e um civil" que foram levados a uma unidade hospitalar, "tudo com ferimentos ligeiros relacionados com traumas oculares e traumas também nos membros inferiores, entorses e algumas luxações".

Já a vítima civil teve "queimaduras de primeiro e segundo grau, em menos de 10% do corpo", mas entretanto "já teve alta e já está no seu domicílio", acrescentou.

A estes, juntam-se "10 bombeiros assistidos no teatro de operações, que não tiveram de ser deslocados e que voltaram ao combate", adiantou André Fernandes aos jornalistas.

Uma casa na Biscaia, um anexo e um veículo ligeiro arderam, segundo o ponto de situação feito durante a madrugada pelas autoridades. Esta manhã, André Fernandes referiu que o levantamento dos danos materiais ainda está a ser feito.

Por precaução, 47 pessoas foram retiradas de casa pelas autoridades em diversas localidades, como Biscaia, Figueira do Guincho, Charneca e Almoínhas. A aldeia de Biscaia foi evacuada e, entre os seus habitantes, estava a apresentadora de televisão Teresa Guilherme. As pessoas retiradas passaram a noite na Sociedade Recreativa da Malveira (17) e no Pavilhão Dramático de Cascais (30). O condomínio Marina Guincho, na Malveira da Serra chegou a ser ameaçado pelas chamas. O parque de campismo, na Charneca, também foi evacuado, num total de 300 pessoas.

Foram ainda retirados 70 animais do Clube D. Carlos e do Centro Hípico do Estoril, na Charneca, que foram levados para o hipódromo Manuel Possolo, em Cascais.

Duas estradas (N247 e N9-1) foram cortadas, nomeadamente nos acessos ao Guincho, Cabo da Roca e Autódromo do Estoril.

Uma patrulha da GNR da Malveira da Serra esteve a deslocar-se porta a porta para verificar se ainda existiam pessoas em casa.

O JN falou no local com alguns populares que referiram que a serra - que está a salvo - não estava limpa, o que poderá dificultar o combate.

Uma das moradoras da zona, Anabela Carvalho, contou ao JN que o irmão - que mora perto de onde decorre o incêndio, na Charneca - lhe disse estar "tudo calmo, por enquanto", mas que há "medo do vento".

Existem, no entanto, algumas pessoas que não querem sair de casa, segundo sabe o JN. Um dos populares contou mesmo que um residente terá agredido um militar da GNR.

O presidente da Câmara Municipal de Cascais, Carlos Carreiras, afirmou que a evacuação se fez apenas "preventivamente", uma vez que a "prioridade é salvaguardar as pessoas e os agregados populacionais".

Carlos Carreiras afirmou ainda que existem duas frentes em Cascais, mas que "não é possível fazer uma previsão" de quando a situação estará resolvida. "Nesta noite longa, de ansiedade para as nossas populações e de muito trabalho para os nossos bombeiros e forças de Proteção Civil, estamos na linha da frente para garantir que tudo será feito para manter as nossas gentes em segurança", pode ler-se numa publicação de Carlos Carreiras na rede social Facebook.

O presidente da Câmara de Cascais assegurou que "há meios no terreno suficientes para este combate duro, tornado ainda mais injusto pelo vento que não dá tréguas".

Segundo o presidente da Câmara Municipal de Sintra, em Cascais é que existirão aldeias em risco e em algumas habitações dispersas pelo local em que deflagra o fogo. "Há uma solidariedade total" com os municípios vizinhos, garantiu Basílio Horta. Esta manhã, o autarca indicou que "ainda não está apurada a área ardida, mas dentro do concelho de Sintra a dimensão não é muito grande".

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, esteve na Câmara de Sintra , para perguntar "se estava tudo bem e se era necessária alguma intervenção", segundo revelou o presidente da autarquia, Basílio Horta. Chegou cerca das 00.45 horas e saiu cerca de meia hora depois, mantendo-se em contacto com o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, uma vez que as chamas evoluíram para a zona da Biscaia.

Segundo disse à Lusa fonte oficial do Ministério da Administração Interna, Eduardo Cabrita "está em contacto permanente com o comandante nacional" da Autoridade Nacional de Proteção Civil e "falou com o presidente da Câmara de Sintra".

O ministro também "já falou com o presidente da Câmara de Cascais" e o comandante nacional está a acompanhar a situação na sede da ANPC, em Carnaxide, enquanto as operações no terreno estão a cargo do comandante distrital.

Segundo fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Lisboa informou à Lusa, as chamas lavram numa zona de mato, na serra. O presidente da Câmara Municipal de Sintra, Basílio Horta, confirmou que o fogo está a deflagrar numa zona de mato e que progrediu a uma "velocidade enorme", mas que os meios de socorro apareceram prontamente no local. "Estamos a fazer uma vigilância apertada", juntamente com os Bombeiros de Queluz, revelou em declarações à TVI24.

Contactados pelo JN, os Bombeiros Voluntários de Sintra confirmaram que a situação era "grave" e que estão "a dar o melhor para evitar que as chamas se aproximem das habitações".

O presidente da Câmara reagiu na rede social Facebook com uma publicação em que pede para "manter a calma e confiar nos nossos bombeiros".

A zona do convento da Peninha situa-se no perímetro do Parque Natural de Sintra-Cascais. Ainda não se averiguou qual a origem do incêndio, que terá iniciado numa caserna - uma capela abandonada - junto ao convento da Peninha, segundo informou o presidente da câmara de Sintra.

O último grande incêndio que fustigou a serra de Sintra foi há 52 anos e ficou na memória pela devastação florestal e por ter provocado a morte de 25 militares. O "grande fogo da serra de Sintra", como ficou conhecido, começou na Quinta da Penha Longa a 06 de setembro de 1966.