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Palácio da Pena está "aberto para obras"

Palácio da Pena está "aberto para obras"

O Palácio Nacional da Pena, em Sintra, iniciou em Janeiro seis projectos simultâneos de conservação e restauro e encontra-se "aberto para obras", para permitir aos visitantes observar os trabalhos e dialogar com os técnicos.

Num comunicado enviado à Lusa, a empresa municipal Parques de Sintra - Monte da Lua explica que foram escolhidos os meses de menor afluência de visitantes para se proceder às obras "de recuperação de diversas áreas-chave do monumento".

São elas as cúpulas de azulejos dourados, o mobiliário do Salão Nobre, a janela neo-manuelina, a escada das Cabaças, a sala de estar da família real e a janela de pau-santo da capela do palácio.

As cúpulas de azulejos dourados são "um dos elementos mais emblemáticos do palácio, com as suas flechas de crescente lunar que remetem para o 'Monte da Lua' sintrense e, simultaneamente, para uma evocação do exotismo mourisco". As obras destinam-se a substituir azulejos partidos ou sem vidrado devido ao impacto das intempéries, o que permitirá também evitar infiltrações no palácio, indica a Parques de Sintra.

O mobiliário do Salão Nobre, o segundo alvo desta intervenção, será restaurado no local, para evitar eventuais estragos produzidos na sua deslocação, o que permitirá aos visitantes observarem a "oficina de restauro" in loco.

"Trata-se do mobiliário que D. Fernando adquiriu à Casa Barbosa e Costa, de Lisboa, em 1867, possivelmente já na perspectiva do casamento com a sua segunda mulher, a Condessa d'Edla", refere a empresa gestora do património cultural sintrense.

A janela neo-manuelina, inspirada na do Convento de Cristo e também considerada um dos mais importantes elementos do Palácio da Pena (por concretizar o revivalismo do século XIX), verá os seus caixilhos de madeira restaurados.

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Igualmente recuperada será a pintura mural - actualmente bastante degradada - da escada das Cabaças, o acesso principal ao Palácio Novo e ao Salão Nobre, para os convidados não passarem pela zona residencial íntima da família, organizada em torno do claustro manuelino.

Na sala de estar da família real, os trabalhos centrar-se-ão na recuperação da pintura original da abóbada, "uma pintura mural em 'trompe l'oeil' muito sofisticada" - descreve a Parques de Sintra - danificada pela queda parcial do revestimento da abóbada, em 1991, que foi preenchida a branco mas sem o repinte necessário.

Para encobrir o estado incompleto da pintura mural, foi, na altura, colada seda verde, nas paredes e no tecto, forrando toda a sala, e é esse tecido que vai agora ser retirado "com extremo cuidado, para permitir projectar e realizar o restauro da pintura original".

O sexto e último projecto a decorrer em simultâneo é o restauro da histórica janela de pau-santo da capela do palácio e dos respectivos vitrais, sendo igualmente necessário reparar os azulejos que a contornam.

"Os vitrais, de Nuremberga (1841), remetem para as figuras de D. Manuel I e Vasco da Gama, afirmando a ligação intencional de D. Fernando II ao passado mais emblemático do país. A figura de São Jorge e a de Nossa Senhora da Pen(h)a completam a referência à fundação do Palácio da Pena", sublinha a empresa.

Os seis projectos de restauro em curso no palácio envolvem parcerias entre os técnicos da Parques de Sintra e o Instituto dos Museus e Conservação, precisa a empresa gestora, acrescentando que "a complexidade de alguns justificou mesmo a parceria com universidades, como é o caso dos vitrais da capela, que contou com o apoio do departamento de Conservação e Restauro da Universidade Nova de Lisboa".

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