Vila Franca de Xira

Jovens muito atentos ao fenómeno das falsas notícias nas redes

Jovens muito atentos ao fenómeno das falsas notícias nas redes

A preocupação com as chamadas "fake news" - falsas notícias - e, sobretudo, a melhor forma de as combater, foi o mote para uma animada sessão de perguntas e respostas, que decorreu, esta terça-feira, na Escola Professor Reynaldo dos Santos, em Vila Franca de Xira, que reuniu alunos dos 10.º e 11.º anos daquele estabelecimento e um jornalista do "Jornal de Notícias"

A iniciativa serviu para dar continuidade ao projeto do "Jornal de Notícias" dedicado aos mais novos, o "JN Tag", que, desde setembro, tem uma parceria com o Ministério da Educação, no sentido de marcar presença nas escolas para ajudar os jovens a descodificarem a atualidade e a trabalhar conceitos de literacia mediática.

Nesta sessão, que reuniu cerca de 60 alunos, professores e um jornalista do JN, os jovens mostraram-se conscientes da necessidade de filtrar a informação, sobretudo a que que circula nas redes sociais, de forma a poderem distinguir aquelas que são credíveis e as que se enquadram no conceito de "fake news".

"Identificar as fontes, ter atenção às datas de publicação original, e verificar os autores", foram algumas das estratégias sugeridas pelos jovens, que se revelaram particularmente interessados na diferenciação que deve ser feita entre profissionais de comunicação social, que seguem regras próprias, obedecendo a estatutos e códigos deontológicos, em contraste com aqueles que espalham informação sem controlo e muitas vezes sob anonimato.

"E os jornalistas profissionais não podem cometer erros?", repetiram algumas vezes os alunos. "Podem, como em todas as profissões", foi-lhes respondido. Mas, uma vez mais, chamando a atenção para as diferenças. "Um profissional tem um nome e um órgão de comunicação que representa. Existem mecanismos para contestar eventuais erros, enquanto quem espalha falsas notícias ou rumores pelas redes sociais, não tem esse rosto visível", foi explicado.

Ao longo de duas horas, e sempre com muita interação entre o jornalista e os alunos, estes foram também alertados para a maior propensão geral para a partilha de notícias falsas do que verdadeiras e confirmadas, dado o habitual caráter sensacionalista das primeiras.

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Com recurso a exemplos relacionados com as suas próprias vivências diárias, como o futebol, deram conta desta realidade, quando questionados, por exemplo, se mais depressa espalhariam uma notícia com um título "bombástico" sobre a descida de divisão de um clube rival, ou uma informação sobre um protocolo de apoio às modalidades do seu próprio clube. Por impulso, confessaram que a escolha recairia na primeira hipótese.

Daqui também o alerta para a conveniência de ler uma notícia por inteiro, ao invés de partilhar instintivamente uma informação apenas baseada num título, provavelmente fabricado propositadamente para causar este efeito espontâneo.

Mas o principal foco dos estudantes estava mesmo na maneira como as notícias falsas podem pôr em causa a democracia. Foi explicado que, dado o impacto destas informações na reputação de pessoas, instituições ou empresas, os danos podem ser muito severos, acabando, inevitavelmente por ser nocivos aos estados democráticos.

No entanto, este é um problema que afeta precisamente os países onde existe democracia, porque são os que se preocupam em criar mecanismos que defendem a liberdade de informação, ao contrário das ditaduras, onde tudo é filtrado por quem ocupa o poder.

Aos jovens, que, por natureza, são fortes utilizadores das redes sociais, foi também explicado que as notícias falsas só se espalham se as pessoas não forem cautelosas e contribuírem para a sua divulgação. Por isso, no final, houve unanimidade sobre esta questão fundamental: "o combate às notícias falsas passa por cada um, travar as correntes de informação", que chegam através de plataformas como o Facebook, Instagram, WhatsApp ou outras.

Esta sessão, promovida pelos alunos da Escola Reynaldo dos Santos, visou, segundo os organizadores, a elaboração de um conjunto de normas de conduta, que permitam combater o fenómeno das "fake news". Está também integrada no projeto "Parlamento dos Jovens", ao qual os alunos daquele estabelecimento de ensino são concorrentes.

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