Município

Amarante opõe-se a Linha de Muito Alta Tensão

António Orlando

Proposta prevê instalação de linha com 70 quilómetros suportada por 177 estruturas metálicas

Foto Fernando Fontes / Global Imagens

A instalação de uma linha elétrica de muito alta tensão (200/400 kV) ) que a Rede Elétrica Nacional (REN) pretende estender entre a Barragem do Carrapatelo (Marco de Canaveses/Cinfães) e Vila Pouca de Aguiar, via Amarante, "deixou de fazer sentido", defende o presidente da autarquia amarantina.

O autarca José Luís Gaspar sustenta a sua posição com o cancelamento da Barragem de Fridão, em Amarante.

A tomada de posição aconteceu durante a resposta a uma interpelação, na Assembleia Municipal, do deputado do PS, Pedro Ribeiro que pretendia saber se a Câmara havia feito "uma proposta de traçado alternativa" porque "a original vai prejudicar, sobretudo, as populações de Olo e Rebordelo, no concelho de Amarante", alertou.

José Luís Gaspar revelou que a Autarquia se opõe "determinantemente" à instalação da nova linha "até porque", sublinhou, "a linha que já existe pode duplicar a potência a transportar".

Desde 15 de janeiro de 2019 que o projeto reúne todas as decisões de licenciamento emitidas pelo Governo, nomeadamente a declaração de impacte ambiental promovida pela Agência Portuguesa do Ambiente inserida no Título Único Ambiental (documento que reúne todas as decisões de licenciamento).

A linha tem como propósito transportar energia produzida pelas centrais de Gouvães, Daivões e Alto Tâmega, inseridas no Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroelétrico, a cargo da empresa Iberdrola.

A proposta de instalação desta linha de 70 quilómetros, suportada por 177 estruturas metálicas, atingirá as povoações de 22 freguesias, de seis concelhos: Cinfães, Marco de Canaveses, Amarante, Cabeceiras de Basto, Mondim de Basto e Ribeira de Pena.

A consulta pública realizou-se entre 18 de outubro a 8 de novembro de 2018, tendo sido vertidas 18 exposições, nomeadamente de quatro das seis autarquias por onde passará a linha.

No Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (RECAPE), da Agência Portuguesa do Ambiente, consultado pelo JN, pode ler-se que a autarquia amarantina denunciou o incumprimento da articulação com as câmaras municipais e que "não foi considerada a proposta, subscrita pela autarquia de deslocação do traçado da linha nascente do empreendimento turístico da Quinta de Pousadela".