Câmara Municipal

Ida de comitiva de Felgueiras a Moçambique custou 110 mil euros

Ida de comitiva de Felgueiras a Moçambique custou 110 mil euros

A ida de uma delegação de Felgueiras a Moçambique, em março, liderada pelo presidente da Câmara Inácio Ribeiro, no âmbito de uma geminação, custou 110.637 euros.

De acordo com documentos da autarquia, consultados pela Lusa, além dos 69.992,40 euros assumidos pela Câmara de Felgueiras e submetidos à apreciação do executivo, de maioria social-democrata, houve outro valor de 40.975 euros (IVA incluído), destinado a custear a viagem, realizada de 02 a 12 de março, que foi suportado pela empresa municipal ACLEM.

Sabe-se também agora ainda que, afinal, a comitiva de Felgueiras incluiu 25 pessoas, e não 17 como tinha sido anunciado pela autarquia. Esse acréscimo de elementos traduziu-se no aumento do custo inicial, o que foi assumido na compra do serviço assumida pela empresa municipal a uma agência de viagens no Porto.

A viagem tem suscitado polémica no concelho devido aos custos, mas também ao facto de alguns participantes, incluindo políticos (um vereador e um deputado municipal), terem aparecido em fotografias, nas redes sociais, desfrutando de momentos de lazer.

Quando a matéria da deslocação à vila moçambicana de Mocímboa da Praia, que está geminada com Felgueiras desde 07 de agosto de 2014, foi tratada na reunião de câmara pública, no final de fevereiro, o presidente do executivo não informou sobre existência de uma verba para a viagem, para além da que estava a ser apreciada, no valor de 69.992,40, adjudicada, por ajuste direto, a uma agência de Penafiel.

Este montante, aliás, já estava a ser questionado pela oposição socialista, que o considerava demasiado elevado para o fim a que se destinava.

Na altura, o presidente reconheceu que se tratava de um montante considerável, mas justificado pela importância no aprofundamento do processo de geminação, para além do caráter simbólico e histórico, o que convenceu os três vereadores socialistas a darem o seu assentimento. Um dos quais até participou na viagem.

A Câmara de Felgueiras também tinha divulgado, publicamente, dias antes, que a comitiva incluía 17 elementos, entre os quais empresários, representantes das associações, dos bombeiros, da escola profissional, da Igreja e das várias forças partidárias concelhias.

Sobre este dossiê, nomeadamente o acréscimo do custo inicial, Inácio Ribeiro, que respondeu à Lusa por escrito, explicou:

"O processo de formação da delegação foi gradual e constituído por duas fases, alargando a sua dimensão para corresponder às solicitações de apoio por parte do município de Mocímboa, nas áreas da saúde, educação, cultura, ensino profissional e formação de técnicos".

O autarca sublinhou ainda terem sido desenvolvidos contactos empresariais, incluindo na capital Maputo, e com entidades religiosas.

Sobre os valores envolvidos, Inácio Ribeiro afirmou que os custos por cada membro da delegação ascenderam a 4.120 euros, incluindo viagens e alojamento. O valor justifica-se, anotou, pela elevada distância percorrida pela comitiva. As demais despesas, frisou, foram suportadas por cada um dos participantes.

A propósito da utilização de verbas da ACLEM, o presidente refere que a empresa "já é rentável, fruto de uma gestão cuidadosa" e "que apresenta resultados positivos".

Em maio de 2015, outra comitiva da Câmara de Felgueiras, também liderada por Inácio Ribeiro, integrando três pessoas, deslocou-se a Moçambique para participar na assinatura do protocolo de geminação.

A deslocação custou 25.372 euros aos cofres da autarquia, no âmbito de um ajuste direto a uma agência de viagens de Felgueiras, o que corresponde a mais de 8.400 euros por pessoa.

À Lusa, Inácio Ribeiro justificou que aquela deslocação também inclui contactos, em vários pontos daquele país, com as entidades locais para tentar trasladar para Portugal os corpos de dois dos 11 militares felgueirenses que morreram em Moçambique. A trasladação não foi conseguida.

No conjunto das duas viagens, a geminação já custou mais de 136.000 euros a Felgueiras.

No âmbito do entendimento entre as duas localidades, vão ser enviados a Mocímboa da Praia livros, material informático e equipamentos de saúde, doados por particulares e empresas de Felgueiras.