Espetáculo

Magia do circo resiste em Gondomar

Marta Neves

Palhaços arrancam gargalhadas à plateia|

 foto Igor Martins/Global Imagens

A magia do circo continua a encantar o público|

 foto Igor Martins/Global Imagens

Medidas de segurança apertadas|

 foto Igor Martins/Global Imagens

Nos bastidores preparam-se as atuações|

 foto Igor Martins/Global Imagens

Carlos Teixeira e o filho, Duarte, sentaram-se na primeira fila|

 foto Igor Martins/Global Imagens

Espetáculo garante bons momentos às famílias|

 foto Igor Martins/Global Imagens

Mesmo em tempos difíceis, é preciso manter a boa disposição|

 foto Igor Martins/Global Imagens

Sala de isolamento|

 foto Igor Martins/Global Imagens

Acrobacias nas alturas|

 foto Igor Martins/Global Imagens

Super Circo estará em Gondomar até domingo|

 foto Igor Martins/Global Imagens

Malabarista cativa a plateia|

 foto Igor Martins/Global Imagens

"A magia do circo não termina aqui. Enquanto houver crianças o circo não morre!". A frase é dita no final de cada espetáculo do Super Circo, de Israel Modesto, que retomou atividade no dia de Natal e terá sessões até ao próximo domingo, na Avenida Mário Soares, em Gondomar. De 30 companhias existentes em todo o país, esta é uma das três que tiveram trabalho nesta época.

"Num ano para esquecer", Israel readaptou a tenda com todas as condições de segurança, mas, ainda assim, contabiliza 40 mil euros de prejuízos.

Tanto mais, que o empresário, 47 anos, confidenciou ao JN que terá que recorrer à banca para fazer face às despesas. "Só para seguros serão dez mil euros", disse Israel, orgulhoso, por "numa fase tão complicada não ter despedido ninguém". Antes pelo contrário.

Pedro Santos, 22 anos, que faz de palhaço Pedrito, em março estava a tocar numa orquestra em Espanha quando foi "obrigado" a regressar a Portugal. "No verão soube que o circo andava à procura de um palhaço e aqui estou", contou.

Mas com "mulher, filhas e genros" todos a viver do circo as preocupações de Israel adensam-se. "Outro ano como este e é o fim!", desabafa, de forma irrefutável. E explica: "Este circo tem 900 lugares, mas por indicações da Direção Geral da Saúde só podemos vender 60% da sala. Nos melhores dias temos cento e tal pessoas numa sessão, mas já atuamos para 12 e o espetáculo mantém-se com o mesmo profissionalismo".

Por conta da pandemia, o Super Circo foi obrigado a estar cinco meses parado. "Valeram-me as economias que tinha", confessou Israel Modesto. Na certeza, porém, que quando os espetáculos recomeçaram, o empresário fez questão de cumprir todas as exigências do plano de contingência. "A tal ponto que até criamos uma cabine de isolamento caso alguém se sinta mal", vincou.

Até o espetáculo, com cerca de duas horas, "tem um ritmo mais acelerado por causa do recolher obrigatório à uma da tarde". Com o público bem espalhado pela sala, quem decidiu ir ao circo deu a manhã como "bem passada". "Aos poucos, e para bem da nossa sanidade mental, é bom voltar a ver espetáculos", referiu Carlos Teixeira, 38 anos, que levou o filho, Duarte, de 7, ao circo. O petiz "gostou muito" da experiência.

Israel Modesto reforçou ao JN que esta é uma atividade que vive "sem apoios ou financiamentos do Estado", apelando "a que Câmaras, ao menos, nos isentem as taxas de ocupação". A trabalhar muitas vezes "com prejuízo", Israel lamenta o fecho de muitas companhias, que tiveram de recorrer a ajuda alimentar.

ROSTOS DE QUEM VIVE DO CIRCO

Pedro Santos estava a trabalhar em Espanha

Foto: Igor Martins/Global Imagens

Pedro Santos, 22 anos Palhaço Pedrito Em março estava a tocar numa orquestra, em Espanha, quando a pandemia o obrigou a regressar. No Super Circo é o verdadeiro homem espetáculo. Não pára um minuto. Faz de palhaço, troca de roupa várias vezes, toca saxofone e ainda vende balões durante o intervalo.

Lara Modesto voltou ao circo pouco tempo depois de ser mãe

Foto: Igor Martins/Global Imagens

Lara Modesto, 27 anos Partner do equilibrista Foi mãe há 20 dias e já voltou à tenda do circo. O "bichinho" falou mais alto e é vê-la de sorriso aberto, no número de equilibrismo do marido, Rúben. A par de Lara, também a mãe, Sílvia, e as irmãs, Cíntia e Núria, se multiplicam em várias apresentações.

Israel Modesto herdou do avô paixão pelo circo

Foto: Igor Martins/Global Imagens

Israel Modesto, 47 anos Apresentador Herdou do avô, Abrão Modesto, o amor pelo circo. Tanto que aos 29 anos decidiu abrir a sua própria companhia. No espetáculo cumpre a tarefa de apresentador, mas nos bastidores tem a preocupação maior de ser o empresário com mais de dez artistas a seu cargo.

Flácio Alves "nasceu no circo"

Foto: Igor Martins/Global Imagens

Flávio Alves, 24 anos Malabarista É de Pinhal Novo (Setúbal) e confessa que é daqueles que "nasceu no circo". Por isso, é que diz que "quem vive disto não quer outra coisa". Ainda assim, foi nas obras que trabalhou quando se viu sem emprego, durante a pandemia. É malabarista e faz a roda da morte.