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Câmara de Gondomar denuncia crime ambiental no rio Douro

Câmara de Gondomar denuncia crime ambiental no rio Douro

A Câmara de Gondomar anunciou nesta quinta-feira que formalizou uma queixa contra a empresa Águas de Gondomar por crime ambiental, devido a mais uma descarga direta da ETAR de Gramido para o rio Douro. Por sua vez, a empresa afirma que não se verificou qualquer descarga de "esgoto não tratado".

De acordo com a Autarquia, a queixa foi formalizada à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e ao SEPNA (brigada de Proteção da Natureza e do Ambiente da GNR). Foram recolhidas amostras de água a montante e a jusante do rio.

"Nas últimas semanas, têm surgido vários episódios de descargas diretas da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Gramido para o rio", revela o presidente da Câmara de Gondomar, Marco Martins, dando nota de que as descargas são feitas na zona da Ribeira da Archeira, a cerca de 50 metros do rio Douro. "Quando estamos em alturas de muita pluviosidade, conseguimos perceber porque há muitas ligações de águas pluviais e não há capacidade, como acontece em todas", explica o autarca.

No entanto, este trata-se do terceiro episódio de descarga nas últimas semanas, todos eles fora da época das chuvas, esclareceu.

"O que aconteceu hoje não tem justificação e portanto não vamos mais tolerar este tipo de comportamento por parte da empresa Águas de Gondomar, que é quem gere as ETAR", clarifica o presidente da Câmara, dando nota da formalização de uma queixa à APA e ao SEPNA, que já esteve no local. "De facto, isto está a ultrapassar tudo aquilo que é razoável e aceitável. Poderá estar aqui em causa um crime ambiental", assevera o autarca.

Em resposta ao JN, a Águas de Gondomar, explica que "o tratamento de águas residuais da ETAR de Gramido assenta num processo biológico com lamas ativadas, que recorre a microrganismos para assegurar o respetivo tratamento". "Em dias de chuva intensa, e períodos subsequentes, os elevados caudais provocam uma 'lavagem' do sistema, arrastando parte das lamas ativadas (microrganismos) na descarga do efluente tratado", justifica a empresa, dando nota de que "apesar da presença destes flocos de biomassa, o efluente encontra-se límpido e tratado, conforme análises realizadas"

"No local de descarga, e principalmente em momentos de alta maré, quando se verifica menor escoamento de água no rio, estes flocos podem-se acumular na margem, dando um aspeto visual de grande quantidade de lama, mas que corresponde à acumulação progressiva de pequenos arrastamentos ocorridos ao longo dos períodos acima referidos", acrescenta a Águas de Gondomar, reforçando que, "relativamente à situação de uma suposta 'descarga direta' para o rio Douro, reiteramos não se ter verificado qualquer ocorrência de descarga, extraordinária, de esgoto não tratado".

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