Gondomar

Freguesia alarmada com contaminação de solos

Freguesia alarmada com contaminação de solos

A população de S. Pedro da Cova (Gondomar) pondera avançar com uma acção popular contra o Estado pelo depósito de 320 mil toneladas de resíduos perigosos no Alto do Gódea, a céu aberto e sem tratamento. Temem a contaminação dos solos e da água.

Os resíduos, com altos teores de chumbo, cádmio, crómio, arsénio e zinco que podem ter efeitos nocivos para a saúde, foram transferidos, entre Maio de 2001 e Março de 2002, da antiga Siderurgia Nacional, na Maia, para um terreno junto às minas de carvão de S. Pedro da Cova, em Gondomar. A responsabilidade pela remoção era da Urbindústria - Sociedade de Urbanização e Insfraestruturação de Imóveis, empresa pública.

Oficialmente, eram 97 mil toneladas de resíduos inertes (sem perigo para a saúde pública), mas acabaram por ser transferidas mais de 320 mil toneladas de resíduos, classificados como perigosos por análises independentes feitas a pedido da Siderurgia. Junto às piscinas e ao estádio de futebol de S. Pedro da Cova os resíduos depositados formam autênticas montanhas cinzentas. Nas imediações passam cursos de água, entre os quais o rio Ferreira e a ribeira de Parada.

O caso não é novo, mas uma reportagem da TVI, da passada segunda-feira, voltou a pô-lo na ordem do dia. A população está alarmada e quer reagir. Anteontem à noite, um grupo de sampedrenses juntou-se para discutir o assunto e ponderar avançar com uma acção popular contra o Estado. A Junta está com eles e reuniu de emergência ontem à noite. "Vamos pedir reuniões de emergência ao Ministério do Ambiente e à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte", referiu, ao JN, Daniel Vieira, presidente da Junta de S. Pedro da Cova, acrescentando que o problema será levantado próxima Assembleia Municipal. O PCP voltará a expô-lo na Assembleia da República e o Parlamento Europeu é o passo seguinte. O CDS-PP também reagiu. O eurodeputado Nuno Melo vai requerer a intervenção da Comissão Europeia (ler caixa).

O caso já leva oito anos e foi denunciado, na época, pelo PCP. Os comunistas questionaram o Ministério do Ambiente em 2002 e 2004, mas não obtiveram resposta. Em 2004, a Provedoria de Justiça viria a confirmar as preocupações do PCP, revelando que as análises efectuadas demonstravam "valores significativos de crómio e chumbo nas águas subterrâneas", conforme noticiou o JN naquele ano.

"O depósito de resíduos não é novo, mas sabe-se agora que a quantidade é muito superior e confirma-se que são perigosos, como a CDU já tinha alertado", refere Daniel Vieira.

A população de S. Pedro da Cova quer explicações e, sobretudo, soluções para o passivo ambiental que herdou. A Câmara de Gondomar não quis pronunciar-se sobre o caso.

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