Relatório

Lixos importados depositados em aterro de Lousada não eram perigosos

Lixos importados depositados em aterro de Lousada não eram perigosos

O relatório da comissão técnica independente criada para acompanhar a deposição de resíduos vindos de Itália no aterro da Rima, em Lustosa, Lousada, concluiu que "não eram perigosos" e cumpriam os requisitos legais. As amostras mostram que eram sobretudo resíduos de plástico, papel e têxteis.

Os vereadores do PSD consideraram o documento "superficial e pouco rigoroso" e estranharam a presença de pequenas quantidades de "resíduos perigosos nas amostragens", algo considerado normal pela comissão.

A polémica com o aterro nasceu em maio do ano passado veio a público que estavam lá a ser depositadas milhares de toneladas de resíduos importados. A Câmara acabou por interpor uma providência cautelar para travar o processo.

"Chegamos à conclusão que resíduos não eram perigosos e cumpriam com as normas estabelecidas na lei. Apesar de terem sido encontrados uma seringa e um frasco de medicamentos vazios, componentes considerados perigosos, os resíduos têm de ser encarados como um todo", realçou Arlindo Matos, professor da Universidade de Aveiro que coordenou a comissão que levou em conta a análise de um laboratório acreditado. Os lixos em causa também não tinham cheiros e foi detetada a presença de metais pesados, como crómio, tendo o carbono orgânico dissolvido ultrapassado os limites previstos, sinais que não são motivo de alarme, concluiu.

Os eleitos do PSD apontaram o facto de as duas primeiras versões do relatório laboratorial terem sido devolvidas pela comissão assim como "a existência de resíduos perigosos, apesar de ser numa percentagem pequena". As análises feitas "não merecem grande credibilidade", argumentou Leonel Vieira.

Criticou ainda que se tenha perdido a oportunidade de analisar os lixiviados do aterro em causa e acusou a Rima de orientar e condicionar a investigação, por não ter permitido recolhas de amostras dos piezómetros, por ter ocultado "documentos que seriam fundamentais para uma análise mais rigorosa aos resíduos depositados" e por não ter "apresentado os documentos referentes ao transporte e depósito em aterro dos resíduos provenientes de Itália", facto que "põe em causa todas as análises laboratoriais e as que foram realizadas no local".

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"Não há qualquer garantia que as amostras recolhidas para análise são efetivamente as que vieram de Itália", sustentou o vereador.

Arlindo Matos frisou que, apesar de não ter sido apresentada documentação, todas as evidências, quando foi feita a recolha das amostras, apontavam para resíduos de proveniência estrangeira. "Tentamos ser tão rigorosos quanto possível. Nós não produzimos informação, analisamos a informação que nos foi entregue", referiu quanto à comissão de acompanhamento em causa.

"A comissão não foi constituída para analisar a história do aterro, mas apenas para a análise dos resíduos vindos de Itália", alegou o autarca de Lousada quanto aos lixiviados. Pedro Machado adiantou ainda que a Autarquia vai usar o relatório para pedir esclarecimentos à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte.

O PSD voltou a defender o encerramento do aterro. O edil lamentou que a Rima tivesse recebido resíduos importados "à revelia" da Câmara, quando o aterro foi criado para servir as indústrias da região. Mas as conclusões do documento, salientou, mostram que "não havia motivo para tanto alarme".

O JN tentou ouvir a Rima sobre as críticas elencadas pelo PSD, mas ainda não obteve resposta.

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