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Restrições

Lousada: "Somos discriminados. Há dois pesos e duas medidas para o país"

Lousada: "Somos discriminados. Há dois pesos e duas medidas para o país"

Há menos pessoas na rua. Sente-se alguma revolta e sentimento de discriminação entre as gentes de Lousada. Há também quem defenda medidas mais restritivas ou o alargamento das já existentes aos concelhos vizinhos.

Devido ao crescimento exponencial do número de infetados nas últimas semanas, Lousada, a par de Felgueiras e Paços de Ferreira, viu o Governo decretar o dever de permanência no domicílio, o fecho do comércio e serviços às 22 horas, a proibição de celebrações com mais de cinco pessoas e a realização de feiras.

Quem por ali tem negócios não duvida: o impacto será grande. "Vai afetar a economia, já há restaurantes a dizer que vão fechar", salientam Daniela Ferreira e Alípio Cristiano, do Best Food. Falam da confusão gerada quando foram anunciadas as medidas, com pessoas sem saber se podiam sair de casa e a ficarem com receio devido às notícias.

"O sábado costuma ser um dia calmo, mas conto pelos dedos as pessoas que vieram cá hoje. Vê-se pouca gente na rua", admite Filipa Vieira, funcionária de um quiosque onde também se tenta a sorte no jogo. Defende que as medidas fazem sentido e até deviam ser reforçadas. "Deviam era fiscalizar se são cumpridas e ser alargadas a mais concelhos, como Paredes e Penafiel".

"mais cuidados"

Numa pastelaria ali perto, Eduarda Mota concorda que as medidas são necessárias e devem ser cumpridas. "Noto as pessoas com mais cuidados. Lousada é um concelho jovem e talvez o nível de contágio tenha aumentado por isso", aponta.

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Além da quebra de clientes sentida desde o início da pandemia, com a lotação a baixar de 240 para 65 pessoas, um café-restaurante na Praça das Pocinhas tem de fechar às 22 horas.

"As pessoas estão assustadas. Há mais a usar máscara na rua", descreve Fernando Morais. Filipe Nunes concorda: os concelhos são discriminados, as restrições deviam ser alargadas. "Somos discriminados. Há dois pesos e duas medidas para o país", garante Filipe, revoltado com eventos como a Fórmula 1 e o Avante.

Um relatório do Agrupamento de Centros de Saúde apontava para quase 1400 casos no concelho, desde março. Segundo o presidente da Câmara, anteontem, houve cem novos infetados. Pedro Machado lembra que a capacidade de testagem e as equipas de inquéritos epidemiológicos foram reforçadas. Mas salienta que "não é um problema destes três concelhos" e que "a doença não tem fronteiras". Defende o recolher obrigatório a partir da meia-noite e mais poderes para as autoridades policiais encerrarem estabelecimentos incumpridores.

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