Maia

Anocas precisa de combater o monstro

Anocas precisa de combater o monstro

Ana, de seis anos, a quem todos chamam Anocas, inventou um nome para o tumor cerebral que lhe descobriram quando tinha dois anos e meio: Monstro Horrível ou MH. Desde há uns tempos, começou a chamar-lhe também Monstro Horrível Idiota. Agora, precisa de ajuda para o combater.

Monstro horrível é o mínimo que se pode chamar a um cancro que não pára de crescer numa menina tão bem-disposta, que passou os últimos anos e entrar e sair de internamentos, tratamentos e não tem ido à sua escola, a EB1/JI da Maia, porque está a fazer o terceiro ciclo de quimioterapia da sua vida - terá que fazer 52, no total.

O seu tumor - um glioma das vias ópticas (astrocitoma pilocítico) - já cresceu duas vezes. Não é operável, é preciso controlá-lo, mas uma vez duplicou e foi preciso fazer uma cirurgia, que deixou grandes sequelas na menina.

Ana tinha quatro anos e ficou sem ver, sem falar e sem andar e, na altura, com pouca esperança de recuperar. Recuperou, mas perdeu quase toda a visão de um olho, a mobilidade do lado direito do corpo, adquiriu um distúrbio hormonal chamado diabetes insípida e ficou com lesões na hipófise e no hipotálamo. Só consegue ingerir líquidos e alimentar-se por sonda.

E, todavia, Anocas está sempre a sorrir, mostrando os ímanes com que treina a mobilidade da mão; falando da sua paixão pela Cinderela; contando orgulhosamente que já não usa fralda para dormir.

"Ela já vive há mais tempo com cancro do que sem cancro", assinala Alexandrina, a mãe da menina, que apostou tudo o que tem na luta contra o monstro horrível, mas o que tem já não chega. Professora de música, está de baixa para assistência à filha e perderá 50% do rendimento em Janeiro.

Esgotou as poupanças em fisioterapia, naturopatia e terapias complementares que, afirma com certeza, permitiram que Ana aguentasse todo este tempo. A esperança está agora numa clínica alemã, em Colónia, onde a pequena Ana poderá tratar-se. Foi nessa clínica que se tratou Safira, a menina cuja luta contra o cancro deu origem a um livro.

Anocas precisa de 80 mil euros para pagar as despesas. Para ajudá-la a angariar fundos para pagar os tratamentos e as despesas diárias, foi aberta uma conta na Caixa Geral de Depósitos para a qual podem ser feitos donativos, com o NIB 0035 0429 00053055000 65. No dia 9 de Dezembro, haverá também um concerto solidário no Fórum da Maia.