Especial Autárquicas 2021

Da promessa de metro à "ratoeira do Governo" na STCP com foco na periferia

Da promessa de metro à "ratoeira do Governo" na STCP com foco na periferia

Autarca da Maia promete IMI no mínimo de 0,3% daqui a quatro anos, em debate com críticas a assimetrias, falhas na habitação, mobilidade e apoios em pandemia.

Ao longo de hora e meia, António Silva Tiago, recandidato à Maia pela coligação PSD/CDS, esteve debaixo do fogo da oposição devido aos problemas de habitação, transportes e, sobretudo, os que afetam as populações mais afastadas do centro. Mas não foi só o presidente de Câmara que esteve na mira dos candidatos. Também PS e Governo foram atacados em dossiês como STCP e metro. No primeiro caso, falou-se da municipalização. No segundo, da prometida ligação ao Hospital de S. João. Já Silva Tiago promete baixar o IMI para "0,3% daqui a quatro anos" (hoje é de 0,37%).

Questionados sobre se o presidente maiato ganhará votos com o combate à pandemia, os adversários deixaram críticas, considerando que deveria ir mais longe nos apoios e também ter começado mais cedo.

Em mais um debate do JN no Ateneu Comercial do Porto, desta vez sob moderação de Manuel Molinos, diretor-adjunto, estiveram, além do presidente, os candidatos Francisco Vieira de Carvalho (PS), Silvestre Pereira (BE), Alfredo Maia (CDU), João Borges (PAN), António Fontes Maia (PPM), André Pedro Almeida (Chega) e Mariana Nina Silvestre (Iniciativa Liberal). Um dos temas polémicos foi o dos transportes.

Francisco Vieira de Carvalho reclamou a promessa antiga de alargar a rede de metro, criticando a espera de "20 anos" pela "linha entre S. João e centro da Maia. E até hoje zero". Diz que "até 2025 não vai haver" e pergunta se "a Maia vai ter ou não peso para que, de facto, venha para o concelho", como "previsto em 2001".

"Concurso vai cair"

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Numa troca de palavras com o PS, Alfredo Maia referiu que "os autarcas não deveriam ter permitido a ratoeira que o Governo lhes pregou" com "a saída do Estado da STCP". Notou que, já em 2025, "o Estado não vai investir um tostão", com encargo para o poder local. "E em 2021 quem vai pagar os oito milhões de prejuízos?". Considera ainda um "absurdo" que, quando a Maia se torna acionista da STCP, seja "contratante num concurso público internacional" sobre o qual "há um silêncio vergonhoso" dos autarcas "porque vai cair após as eleições". E "a Maia não acrescentou nem um metro de rede, nem um minuto de horário".

Foi depois acusado de "falácia" por Silva Tiago, que destacou que "a STCP não tem capacidade neste momento". Nos transportes, admitiu que "há assimetrias" e que a Maia "precisa de uma articulação melhorada entre freguesias".

Já André Almeida, do Chega, reforçou a crítica à "ratoeira do Governo" na STCP.

Questionados sobre prioridades, o PS defendeu um espaço verde em cada bairro, habitação para a classe média de renda acessível e captação de "boas empresas" para fixar população.

O candidato da CDU apontou como "mais gritante e uma vergonha" o problema da habitação, destacando 1930 famílias a precisar de casa, e defendeu a criação de uma bolsa de terrenos, tal como uma rede integrada de transportes que cubra todo o concelho e um plano de reabilitação urbanística.

Mais casais e santuário

Para Silvestre Pereira, do BE, o tema da habitação "é extremamente importante". Quer um plano para fixar pessoas porque "a Maia precisa de crescer no número de novos casais e jovens". Destaca ainda os "grandes focos de poluição" e quer retomar o debate sobre a reorganização de freguesias.

Além do IMI em "0,3% daqui a quatro anos", Silva Tiago promete concretizar o plano estratégico para 757 habitações destinadas a jovens casais e famílias de menos condições "com renda acessível". Outra prioridade do administrador não executivo da Metro é "a linha entre S. João e Trofa" e promete facilitar o acesso ao Parque de Avioso (Castêlo).

João Borges, do PAN, defendeu uma "mobilidade sustentável e suave, mudando a frota pública para veículos elétricos", e a aposta na ciclovia. Instado sobre o zoo, defendeu "um santuário"para "conservação de espécies em extinção".

André Pedro Almeida, do Chega, foi o primeiro a enumerar três prioridades. Destacou a segurança, defendendo "a profissionalização e reforço da Polícia Municipal", bem como a "instalação de câmaras de videovigilância" quando diz testemunhar casos de carros desaparecidos ou em cima de tijolos pelo roubo de pneus.

Outra aposta é reorganizar os serviços municipais para reduzir custos com um "corpo municipal demasiado pesado" e, por vezes,"em duplicado", bem como "maior transparência". Aqui criticou "ajustes diretos entre candidatos à Câmara e à Junta de Águas Santas".

Após lembrar que Silva Tiago está na Metro, António Fontes Maia, candidato do PPM, reclamou a ligação ao Parque de Avioso para que "se torne num pólo de atração". Digitalizar o concelho, como defendeu há quatro anos, e a pavimentação das estradas que estão "miseráveis" são outras apostas.

Por sua vez, a candidata da Iniciativa Liberal, Mariana Nina Silvestre, defendeu "maior liberdade económica" e "aligeiramento" de taxas e licenças. Reduzir as assimetrias entre freguesias e reorganizar os serviços municipais também fazem parte das prioridades que elencou no debate.

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