Transportes

Maia diz que linha do metro até à Trofa "tem de ser feita" por "justiça"

Maia diz que linha do metro até à Trofa "tem de ser feita" por "justiça"

O presidente da Câmara da Maia (PSD), Bragança Fernandes, defendeu esta sexta-feira que a construção da linha da Trofa "tem de ser feita" no âmbito da extensão da rede do Metro do Porto, por se tratar de "uma questão de justiça".

"Tem que haver solidariedade, ética e justiça", disse, "temos um Governo da República de Portugal, devemos ser todos tratados por igual".

A questão da extensão da rede do Metro do Porto foi levantada pelo presidente da Câmara de Gondomar, Marco Martins, que é também administrador não executivo naquela empresa de transporte público em representação da AMP, que questionou o Conselho Metropolitano sobre a posição que o acionista (minoritário) AMP vai tomar quando o Governo anunciar a sua decisão.

"Irão brevemente ser anunciadas novas obras na rede (...). Qual vai ser o nosso papel, o que faremos na administração da Metro?", questionou Marco Martins (PS).

O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, remeteu para o dia 07 de fevereiro o anúncio sobre quais as linhas a construir no âmbito da extensão da rede do Metro do Porto.

Bragança Fernandes teve ao seu lado o presidente da Câmara da Trofa, que defende a construção da linha no seu concelho, tendo em conta que, em fevereiro de 2002, a circulação rodoviária nas linhas da CP da Póvoa de Varzim e da Trofa foram encerradas para dar início às obras de construção do canal do metro.

"Eu não sei se o que se vai lá votar [no conselho de administração da metro] vai tornar as coisas diferentes; o que vão lá fazer é zero", sublinhou Sérgio Humberto, recordando que, apesar de todos os partidos com assento parlamentar terem votado na Assembleia da República a favor da construção da Linha da Trofa, o ministro do Ambiente decidiu passado pouco tempo afirmar que a obra não era para fazer.

A população da Trofa continua sem metro, enquanto a ligação à Póvoa foi inaugurada a 18 de março de 2006, sendo que, em dezembro de 2009, chegou a ser lançado o concurso público internacional para a linha da Trofa, contudo, este acabou por ser suspenso em setembro de 2010.

Em outubro de 2015 foi anunciado que a Linha Verde do metro do Porto vai estender-se, através da Maia, até à Trofa com a criação de duas estações, num projeto de cerca de 36,7 milhões de euros, mas no verão de 2016 foi noticiado o abandono deste projeto por parte do Ministério do Ambiente, liderado por João Pedro Matos Fernandes.

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, recordou que os autarcas já defenderam, em Conselho Metropolitano, que a análise custo/benefício que seria feita às linhas possíveis de avançarem "iria prevalecer" na decisão.

Moreira garantiu ainda que "não houve nem haverá" negociação do Porto com o Governo para uma extensão do metro na cidade.

"Todos nós sabemos que o metro no centro do Porto é muito mais rentável do que na Trofa, mas a questão é que o transporte existia e tiraram-no, e nada até hoje se fez", vincou Sérgio Humberto, para quem esta empreitada "é uma questão de justiça".

No final da reunião, o presidente do CmP referiu que "a componente política tem que ser acompanhada da componente técnica", considerando ser "consensual" entre todos os autarcas da AMP que na decisão devem pesar os estudos realizados sobre a viabilidade de cada uma das linhas.

Depois de ser conhecido que haverá cerca de 280 milhões de euros disponíveis para investir na rede da Metro do Porto, a empresa pediu um estudo de análise às várias linhas que haviam sido propostas aquando da decisão da segunda fase da rede, em 2008, para perceber quais as soluções que se adequam aos condicionalismos financeiros existentes.

As linhas em causa são a do Campo Alegre (Matosinhos Sul/S. Bento), a de S. Mamede (Asprela/Matosinhos Sul), o prolongamento da linha de Gaia e a de Valbom (Campanhã/Gondomar).

O Público noticiou esta semana que Porto e Vila Nova de Gaia estão na rota das novas linhas do metro, respetivamente a linha via Campo Alegre, servindo a zona entre São Bento e Casa da Música, criando uma pequena circular entre a Linha Amarela e o tronco comum, e a ligação até Vila D'Este.

O diário acrescentava que as duas obras custam, respetivamente, 140 milhões de euros (Porto) e 120 milhões (Gaia).

Na reunião, os autarcas decidiram ainda nomear o presidente da Câmara de Matosinhos, Eduardo Pinheiro, para o cargo de presidente da Assembleia Geral da Metro do Porto, substituindo assim Guilherme Pinto, antigo autarca daquele concelho que morreu recentemente vítima de doença prolongada.

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