Covid-19

Maia encerra cemitérios e quer evitar novos confinamentos

Maia encerra cemitérios e quer evitar novos confinamentos

Os cemitérios do concelho da Maia vão estar fechados de sábado a segunda-feira e vão ser tomadas "outras medidas para, se possível, evitar novos confinamentos obrigatórios" devido à pandemia da covid-19.

"Apesar do enorme sacrifício, a medida que melhor defende a população é o encerramento dos cemitérios da Maia de 31 de outubro a 02 de novembro. Outras medidas iremos adotar com o intuito de conter a pandemia e, se possível, evitar que venha a ser necessário decretar novos confinamentos obrigatórios", refere o presidente da câmara da Maia, António Silva Tiago, numa mensagem publicada no portal de notícias da autarquia.

Numa resposta enviada à agência Lusa, a câmara da Maia, no distrito do Porto, apontou que um eventual recolher obrigatório, que tem vindo a ser defendido por autarcas da Área Metropolitana do Porto (AMP), "compete ao Governo".

A autarquia manifesta confiança de que a tutela tomará a decisão "se for necessário".

"Quanto ao recolher obrigatório, essa medida tem que ser tomada pelo Governo por razões constitucionais. São medidas de tal maneira gravosas que necessitam de muita informação sobre a evolução epidemiológica e estatísticas específicas a que as autarquias não têm acesso. Por isso, confiamos que o Governo tome as medidas necessárias e adequadas à gravidade da situação. Se a decisão que vier a ser tomada for essa, é porque é necessária", lê-se na resposta escrita enviada à Lusa.

Hoje o presidente da AMP defendeu que o Governo deve decretar o Estado de Emergência e generalizar as medidas de combate à covid-19 "a todo o país" de forma "coerente e homogénea".

Também o presidente da Comissão Distrital da Proteção Civil do Porto, e da câmara de Gondomar, Marco Martins, revelou que apresentou uma proposta ao Governo para que, em função do aumento crescente do número de casos de covid-19 na região, decrete o recolher obrigatório no distrito.

Especialistas alertaram hoje que a região Norte poderá atingir 7.000 novos casos de infeção pelo SARS-CoV-2 na próxima semana.

Ouvidos pela Lusa, afirmaram existirem "vários concelhos" num "patamar semelhante" aos três do Tâmega e Sousa onde, na sexta-feira, foram impostas medidas mais restritas.

No vídeo partilhado no portal da autarquia, António Silva Tiago começa por dirigir-se à população da Maia, frisando que "a segunda vaga [da covid-19] se tem revelado agressiva", o que "coloca sobre stress o sistema de saúde".

"Importa que todos e cada um de nós se assuma como um agente de saúde pública e faça a sua parte no combate ao vírus", refere o autarca que, no que se refere à decisão de encerrar os cemitérios, recorda que a câmara não tem a gestão direta destes equipamentos, mas "não se pode alhear do potencial de risco que podem constituir eventuais aglomerações".

António Silva Tiago também avançou que serão reforçadas as campanhas de sensibilização, reaberto o centro de rastreio móvel covid-19 e intensificada a higienização de equipamentos públicos.

E somou medidas como o reforço de intervenção da Polícia Municipal para apelar ao distanciamento social e uso da máscara e a reabertura de uma estrutura de apoio 'covid negativo' para dependentes e sem retaguarda numa unidade hoteleira.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 1,1 milhões de mortos no mundo desde dezembro do ano passado, incluindo 2.395 em Portugal.

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