Assembleia Municipal

Autarca do Marco acusa ex-vice de guardar processos para decidir por conveniência

António Orlando

Cristina Vieira, presidente da Câmara do Marco|

 foto António Orlando/JN

Mário Bruno Magalhães, ex-vice presidente|

 foto António Orlando/JN

Caixotes com processos levados para a AM|

 foto António Orlando/JN

Mário Bruno Magalhães, recentemente afastado do Executivo da Câmara do Marco de Canaveses pela Presidente de Câmara, tinha no seu gabinete mais de 200 processos por despachar. A acusação foi feita pela autarca Cristina Vieira, em plena Assembleia Municipal (AM) realizada este sábado no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

A autarca, que exibiu um conjunto de caixas onde alegadamente estão guardados os processos por despachar, promete abrir um inquérito interno se houver matéria que o justifique. "Sou a primeira a querer saber que decisões são essas", referiu.

O afastamento do vereador, que ficou sem pelouros e sem a vice-presidência do município, foi tomada pela autarca Cristina Vieira, no início deste mês, alegando "deslealdade política" do vereador, num curto comunicado.

Agora confrontada pelo PSD com o processo político que levou ao afastamento do número dois do PS, a autarca acabou por sustentar a falta de lealdade política com "os processos guardados em caixas, em que o senhor Mário Bruno Magalhães respondia quando queria e como queria. Tinha processos retidos nas suas mãos porque não lhe dava jeito para responder", atirou.

Uma das questões realçadas pelo PSD foi a afirmação de Mário Bruno Magalhães que, em conferência de imprensa, havia dito que saiu da câmara "apenas com o dinheiro que a contabilidade lhe transferiu''. "Nunca por qualquer motivo, alinhei e nunca iria alinhar em coisas menos claras e menos transparentes", disse Magalhães, no dia 5 de setembro. Hoje o vereador, já sem pelouros acrescentou: "A senhora presidente ficou muito preocupada e melindrada. Fico preocupado porque pode ter-lhe servido a carapuça. Quem não deve, não teme, e eu reitero aquilo que disse".