ACES Tâmega

Autarca de Marco de Canaveses fala em "descoordenação" nos testes à covid-19

Autarca de Marco de Canaveses fala em "descoordenação" nos testes à covid-19

As autoridades de saúde ainda não realizaram testes de despistagem à covid-19 a cerca de duas dezenas de instituições do Marco de Canaveses que lidam diretamente com grupos de risco.

É o caso das IPSS que agregam a quase totalidades de lares e centros de dia do concelho, mas também aos Bombeiros e Cruz Vermelha que fazem transporte de doentes e à GNR. Segundo dados da Direção Geral de Saúde, até ao dia 14 de maio o concelho de Marco de Canaveses contabiliza 85 casos positivos de infetados com o novo coronavírus. Mas a autarca Cristina Vieira (PS) admitiu que estão por realizar testes nos grandes grupos de risco no concelho.

Uma das preocupações está relacionada com a comunidade residente e operária na denominada zona do baixo concelho onde predomina a indústria de extração de granito que faz com que o município, no país, seja aquele que tem uma das maiores incidências de doença pulmonar, como a tuberculose e silicose. Há, por isso, necessidade de rastrear esses doentes.

Os únicos testes feitos até à data foram pagos presidente de junta da freguesia de Alpendorada, Várzea, Domingos Neves. "Esta situação é incompreensível, tanto mais que o covidrive tem capacidade para realizar 150 testes diários, mas sabemos que estão a ser feitos apenas 40, sendo que houve um fim de semana que esteve fechado sem nenhuma marcação para teste", denuncia a autarca socialista.

Outra particularidade anotada no encontro da presidente de câmara com os jornalistas, está relacionada com os lares e centros de dia. O plano de testes abrange um universo de 170 colaboradores e cerca de 700 utentes que, até à data, "não receberam qualquer comunicação por parte das entidades de saúde pública para a realização dos testes".

Até agora apenas três Instituições de Solidariedade Social foram testadas. Trata-se da Cercimarco, onde foram detetados cinco funcionários com covid-19, a Santa Casa da Misericórdia, que teve inicialmente casos positivos (atualmente são todos negativos), e ainda a Fundação Santo António, em Vila Boa do Bispo, onde "os funcionários foram testados, mas os utentes não", precisou a Cristina Vieira.

A autarca, por isso, critica as autoridades de saúde ao falar em "descoordenação" patenteada pela direção da Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) do Baixo Tâmega, mas também no alegado "desrespeito" para com as instituições do concelho, em particular para com a câmara "que tudo tem feito para que nada falte" aos profissionais de saúde no âmbito do combate à covid-19.

Relativamente aos Bombeiros Voluntários e aos dois núcleos da Cruz Vermelha Portuguesa existentes no concelho, a presidente da câmara considera "incompreensível" haver dois critérios de testagem no mesmo ACES, uma vez que "outras corporações da região foram testada". "É incompreensível que corporações de bombeiros de concelhos do mesmo agrupamento de centros de saúde sejam testados neste covidrive, e os nossos, que têm o centro de testes a 350 metros do quartel, não sejam testados", concluiu.

O JN procurou obter uma reação da direção do ACES Tâmega às declarações da autarca do Marco de Canaveses, mas os seus responsáveis estiveram incontactáveis.

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