Marco de Canaveses

Carteiros do Marco em greve parcial durante um mês 

Carteiros do Marco em greve parcial durante um mês 

Os carteiros dos CTT do Centro de Distribuição do Marco de Canaveses iniciaram, esta quinta-feira, uma paralisação em protesto pela falta de recursos humanos na empresa. O pré-aviso aponta para uma greve parcial até 24 de julho, durante o período da manhã, entre as 8 horas e as 10 horas.

Atrasos na entrega da correspondência e sobrecarga dos trabalhadores são as principais consequências da falta de pessoal. "Há trabalhadores que estão com 80 dias de férias do ano passado por gozar, porque não houve condições para as usufruir por falta de pessoal, e o plano de férias deste ano, que começou em maio, vai pelo mesmo caminho", denuncia Samuel Vieira, presidente do Sindicato Independente dos Correios, Telecomunicações, Transportes e Expresso de Portugal (SICTTEXPT).

Além da sobrecarga de trabalho dos funcionários, "a falta de pessoal tem consequências ao nível da qualidade de serviço", acrescenta.

Este cenário é o culminar de um clima de instabilidade laboral que se tem vivido nos últimos meses nos CTT, "onde a administração tem um comportamento autista, não respondendo em tempo útil aos trabalhadores, e desvalorizado as suas preocupações, relativamente às condições de trabalho depauperadas, a falta de contratação de recursos humanos necessários para colmatar o período de férias (...) e assim manter a qualidade de serviço exigível pelo contrato de concessão do Serviço Postal Universal que se encontra obrigada, e que lamentavelmente teima em não cumprir, como aconteceu no ano transato em que não cumpriu nenhum dos indicadores de medição de qualidade utilizados pelo o regulador, ANACOM", explica Samuel Vieira.

O dirigente sublinha que "face a este cenário, é imperativo que o Estado assuma o controlo público dos CTT, um anseio antigo dos trabalhadores, e que o SICTTEXPT, desde o primeiro momento, defende como uma reivindicação incontornável para a paz social dos CTT".

Esta semana, este sindicalista atravessou-se no caminho de Pedro Nuno Santos, quando o ministro se preparava para homologar no Marco de Canaveses a estratégia Local de Habitação, para lhe entregar uma carta onde os trabalhadores expressam suas preocupações face a gestão dos CTT, designadamente, "face ao novo modelo de distribuição (TREVO)", recentemente implementado, "e que viola os padrões de qualidade exigidos pelo o contrato de concessão do serviço postal universal (SPU)", pode ler-se na carta.

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"A possível redução até um terço dos postos de trabalho nos setores operacionais da empresa, a falta de recursos humanos quer nas Estações de Correio e distribuição, quer na área de transportes, o aumento de agenciamentos a terceiros quer na distribuição quer no atendimento, a falta de condições de trabalho e aumento da precariedade nos vários setores da empresa e o menor índice de fiscalização por parte dos organismos competentes (ANACOM e ACT)", são outras das preocupações que constam da carta entregue ao ministro. Em resposta, Pedro Nuno Santos terá dito que "é sensível à questão e que a sua posição em relação aos CTT é conhecida, aguardando por uma tomada de posição do governo face a esta matéria, relata Samuel Vieira ao JN.

Refira-se que o ministro das Infraestruturas e da Habitação, em março de 2020, no parlamento, em resposta a uma interpelação do BE, disse que a privatização dos CTT "foi um erro que não acautelou o interesse do povo" e que o futuro dos Correios de Portugal "dependerá do novo contrato de concessão do serviço postal universal e da garantia do cumprimento de critérios".

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