Marco de Canaveses

Peritos avaliam número invulgar de cancros em Toutosa

Peritos avaliam número invulgar de cancros em Toutosa

Cerca de 20% da população de Toutosa tem problemas oncológicos. Ainda é cedo para estabelecer relação com água.

Diversas entidades de saúde dizem estar a recolher dados sobre o alarmante número de casos de cancro entre a população de Toutosa, no Marco de Canaveses. Ao JN, o diretor do Programa Nacional de Doenças Oncológicas (PNDO), Nuno Miranda, afirma que as análises preliminares não revelam um aumento de doentes, mas salienta que "é necessário um estudo mais aprofundado para chegar a conclusões definitivas". Esse estudo está a ser feito e o resultado deverá ser anunciado dentro de "dois a três meses".

Também a Câmara confirma que contactou o Agrupamento dos Centros de Saúde do Tâmega I - Baixo Tâmega relativamente a uma questão sobre a qual, diz, não ter sido possível, até agora, "estabelecer correlação entre a origem das doenças e as fossas séticas junto aos poços de água usados pela população".

Recorde-se que um levantamento feito pela ex-presidente da Junta de Freguesia Isabel Baldaia identificou 37 casos de doentes oncológicos em apenas sete ruas que circundam a igreja matriz da aldeia. E que, nos últimos 20 anos, 26 dessas pessoas morreram.

O coordenador da Unidade de Saúde Familiar Terras do Românico, Raul Almeida, também fala numa "prevalência anormal" de doenças oncológicas e garante que 15% a 20% dos seus utentes "já tiveram ou têm um cancro". Muitos habitantes consideram que esses números são provocados pela existência de fossas ao lado de poços que abastecem a localidade.

"Quando fui contactado sobre esta questão, falei imediatamente com a diretora-geral de saúde e foi feito um levantamento pela Autoridade Sanitária do Norte. Os dados já analisados não mostraram um aumento do número de casos de cancro na freguesia", refere Nuno Miranda. O diretor do PNDO ressalva, no entanto, que os dados analisados são referentes a um período anterior a 2012 e que vai ser recolhida informação mais recente e específica. "O assunto tem de ser estudado seriamente e é necessário ter números exatos para mostrar às pessoas. Já tenho alguns dados, mas são precisos mais", acrescenta.

Já o Executivo municipal, que tomou posse há um mês, assegura que "não tinha conhecimento do problema", mas assevera que já contactou as entidades responsáveis pela saúde no concelho.

A Câmara salienta ainda que "existe um diferendo judicial entre as Águas do Marco e o Município que se arrasta nos tribunais há cerca de dez anos". "Esse litígio tem impossibilitado, entre outras coisas, o recurso a fundos comunitários para os investimentos nas redes de água e saneamento" que, em Toutosa, abrange, respetivamente, 2% e 20% do território.

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