Autárquicas

Líder do CDS/Marco demite-se em desacordo com ligação obrigatória ao PSD

Líder do CDS/Marco demite-se em desacordo com ligação obrigatória ao PSD

O Presidente do CDS do Marco de Canaveses, Carlos Pinheiro, demitiu-se do cargo por discordar da obrigatoriedade de o partido ter de se coligar com o PSD nas autárquicas. O concelho foi, durante 22 anos, liderado pelo CDS, aquando da regência de Avelino Ferreira Torres, já falecido.

A imposição resulta do acordo eleitoral de coligação autárquica entre o PSD de Rui Rio e o CDS de Francisco Rodrigues dos Santos "cozinhado" por estes líderes partidários.

Carlos Pinheiro fala em "tentativa de salvação pessoal" de Francisco Rodrigues dos Santos com uma "estratégia absurda de coligações ou geringonças" autárquicas com o PSD, "da qual sai amplamente protegido e que apenas beneficia o próprio PSD e determinados elementos do CDS-PP, hipotecando assim o futuro" do partido.

O centrista, com 25 anos de filiação partidária, recorda que "com exceção feita em 1976, altura da Aliança Democrática a nível nacional, nunca existiu no Marco de Canaveses coligação do CDS com qualquer outro partido, o que evidencia e embeleza ainda mais o que foi uma história de força partidária pautada por grande singularidade a nível nacional".

Coligação PSD/CDS e a entrada em cena do Chega

No espaço de um mês, este é o segundo abalo na estrutura do CDS/Marco. A 22 de janeiro, o único vereador do partido, Alcino Vieira, passou a independente em rutura com a concelhia. A saída de Alcino Vieira foi apenas o primeiro sinal de tempos conturbados que se vivem no partido.

Se em termos nacionais o partido está a braços com uma grave crise de afirmação junto do seu tradicional eleitorado e da opinião pública, a nível local o cenário não é melhor. Há militantes e independentes que concorreram nas últimas autárquicas pelo CDS que estão de malas aviadas para o Chega. E, por outro lado, há divisão entre militantes quanto à coligação com os sociais-democratas nas eleições autárquicas.

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Rivais ao longo de 34 anos (22 de presidência de Ferreira Torres e 12 de Manuel Moreira), centristas e social-democratas parecem condenados a ter que enterrar o machado da discordância política.

O acordo de coligações, prestes a ser assinado pelas direções nacionais de PSD e CDS, "empurra" as concelhias para um entendimento eleitoral no Marco de Canaveses, que, a acontecer, será contranatura, atendendo ao histórico concelhio de ambos os partidos.

Apesar de uma renovação geracional quer no CDS quer no PSD, ainda há uma "velha guarda" que não esquece lutas antigas. A maior foi quando, em 1997, o antigo líder da distrital do PSD/Porto, Luís Filipe Meneses, e Avelino Ferreira Torres, com a anuência de Álvaro Castello Branco, à data líder do CDS/Porto, cozinharam um acordo eleitoral que impediu que o PSD/Marco concorresse às autárquicas. Desse modo, o caminho da reeleição do histórico centrista ficou mais fácil que nunca, aniquilando as ambições do PS, que estava a subir eleitoralmente, de retirar a maioria a Ferreira Torres. O ambiente entre os dois partidos, que já não era o mais recomendável, ficou pior.

Recentemente, na última Assembleia Municipal, realizada no dia 27 de fevereiro, num momento acalorado de debate entre PS e PSD, a autarca socialista, Cristina Vieira, disse que o momento irónico da política local era a coligação do PSD com o CDS, "depois de 12 anos em que o PSD permanentemente espezinhou o CDS a propósito do contrato de concessão de água e saneamento".

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