Matosinhos

Homem não consegue vencer as escadas e pede uma casa adaptada

Homem não consegue vencer as escadas e pede uma casa adaptada

José Serafim está acamado há um ano e vive num rés-do-chão elevado e sem elevador, no Bairro de Gatões. Mulher não consegue tirá-lo de casa e já pediu à autarquia para mudar de casa.

José vai balbuciando algumas palavras. O braço esquerdo ainda tem algum movimento, mas o resto do corpo já não lhe obedece e, aos 55 anos, está prostrado numa cama há cerca de um ano. No pequeno quarto de um T1, num rés do chão elevado, quase ao nível de um primeiro andar e sem elevador, no Bairro de Gatões, em Guifões, Matosinhos. A família já pediu à Câmara uma casa adaptada, mas ainda não houve resposta.

Vencer o lanço de escadas para que José Serafim possa entrar ou sair do prédio é tarefa impossível para Rosa Santos, de 51 anos, que cuida do marido há duas décadas, desde o acidente de trabalho que, então, o deixou quase imobilizado. Para os bombeiros, subir ou descer as escadas com o doente na cadeira de rodas é trabalho árduo. E mesmo para retirá-lo do quarto na cadeira de rodas é preciso calcular ao centímetro, porque o espaço é pouco.

"Chegam aqui, vêem um senhor gordo e têm muita dificuldade. Pelo peso dele e pelas escadas. Muitas vezes, vêm quatro bombeiros buscá-lo, e uma bombeira disse que não vinha mais. Há mais de um ano que pedi transferência de casa à Câmara, para uma que não tenha escadas, mas nada. Estou sempre a ligar para lá, mas dizem que estou em lista de espera...", lamenta Rosa Santos, que se tornou cuidadora a tempo inteiro quando a condição do marido se agravou, após novo acidente vascular cerebral (AVC).

O primeiro foi há 20 anos, na sequência da queda que sofreu enquanto trabalhava na construção de um prédio, em Matosinhos. "Veio do hospital acamado, e, com o meu esforço, pu-lo a andar uns passinhos, com ajuda", recorda Rosa, que viu o marido "piorar muito há um ano", devido a outro AVC e à suspensão das poucas sessões de fisioterapia que tinha - 40 minutos, duas vezes por semana.

Em fevereiro, a Associação Desportiva de Árvore Forças Segurança Unidas recebeu um pedido de ajuda da família, e, através da divulgação do caso na página de Facebook, conseguiu que fosse doada uma cama articulada para melhorar a qualidade de vida de José, cujos cuidados estão apenas nas mãos de Rosa, mulher de metro e meio já com dificuldades para movê-lo.

Este mês, a associação voltou a Gatões, para entregar bens de primeira necessidade ao casal.

Município sem vagas
Ao JN, a Câmara de Matosinhos indica que a família "formalizou o pedido de transferência em agosto de 2018 para fogo ao nível do rés-do-chão, de tipologia 1, especificamente no Conjunto Habitacional do Seixo II, onde reside a filha".

A Autarquia explica, contudo, que, "devido ao envelhecimento da população residente nos conjuntos habitacionais, existem atualmente 120 pedidos de transferência para r/c apenas relacionados com problemas de saúde", pelo que o pedido de Rosa "foi analisado e deferido, mas aguarda por atribuição".

"As transferências ocorrem sempre que fica disponível um fogo com a tipologia adequada à composição do agregado familiar, no território geográfico desejado e com as características necessárias à sua condição de saúde", justifica o Município.

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