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Livro "Milhões a Voar", crítico da estratégia da TAP, é lançado terça-feira

JN

Foto Leonel De Castro/global Imagens

O livro "Milhões a Voar", crítico da estratégia para a TAP, é lançado na terça-feira, na FNAC do Norteshopping, e Pedro Castro, que será um dos apresentadores da publicação em Matosinhos, questiona "como é se chegou ao número mágico de 3.2 mil milhões de euros," correspondente à ajuda estatal. "Para quê e para onde vai?", pergunta.

"Como se chegou a este número e como vai ser usado? Percebe-se que esse valor já foi de 350 a 400 milhões em abril de 2020 e que, entretanto, foi sempre subindo... até quanto?", reforça Pedro Castro, fundador e diretor da SkyExpert Consulting, a propósito das questões levantadas pelo livro "Milhões a Voar", cuja autoria pertence a Carlos Guimarães Pinto, cabeça de lista da Iniciativa Liberal às próximas eleições legislativas pelo circulo do Porto, e a André Pinção Lucas, diretor interino do Instituto Mais Liberdade.

A apresentação do livro surge numa altura em que a TAP é um dos temas quentes da campanha eleitoral e promete continuar a dar que falar.

"Um outro número interessante ressalta do livro: com esta injeção de capital público, cada contribuinte injetará 800 euros do seu dinheiro na TAP; para a Justiça vão anualmente pouco mais de 300 euros. Caso perguntássemos às pessoas para onde prefeririam injetar o dinheiro dos seus impostos, na TAP ou na Justiça, qual seria a resposta? Na TAP ou na Cultura? Na TAP ou na Saúde? Na TAP ou na Educação? Na TAP ou no Ambiente? Entre uma TAPzinha ou um Portugalzinho, este livro faz-nos perceber que a escolha feita por este Governo foi de manter o Portugalzinho com todos os seus erros e deficiências, nomeadamente a ausência total de uma análise custo-oportunidade adequada para os investimentos que faz", comenta Pedro Castro.

"Escandalosa é também a comparação relativa, e não absoluta, com a Alemanha: para que a injeção do Estado alemão na Lufthansa fosse comparável à de Portugal na TAP, a Alemanha teria de injetar algo como 70 mil milhões de euros. Nunca um governante alemão ousaria propor tal coisa", adianta.

Pedro Castro também põe em causa a política comercial da TAP. "Foi, desde sempre, criticada pela Madeira, pelo Norte, pelo Algarve e pelos Açores. Estas duas últimas regiões resolveram os seus problemas, seja por recurso a companhias estrangeiras, seja por recurso à sua companhia regional. Lisboa, finalmente, percebeu que a política comercial da TAP e do seu 'hub' também não a beneficia com as tarifas para Madrid, Roma ou Paris via Lisboa a serem vendidas muitíssimo mais baratas do que se o destino final for Lisboa. O mínimo que podemos exigir todos, enquanto país, é que a política comercial da TAP seja alterada com efeitos imediatos e colocar um fim às Tarifas Anti Portugal da TAP", refere.