Prisões

Cadeia de Santa Cruz do Bispo tem 27 presas em quarentena

Cadeia de Santa Cruz do Bispo tem 27 presas em quarentena

Medo de contaminação leva reclusos de Alcoentre a recusar pequeno-almoço. Infetado detido com pai no carro.

Clima de apreensão na cadeia de Santa Cruz do Bispo, onde 27 reclusas estão em quarentena, após suspeitas de que uma delas poderia estar infetada com Covid-19. O teste deu negativo, mas o isolamento profilático irá prolongar-se por 14 dias. Já na prisão de Alcoentre, na Azambuja, vários presos recusaram tomar o pequeno-almoço como forma de protesto para a ausência de material de proteção individual contra o novo coronavírus.

A Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP), que na segunda-feira distribuiu 13900 máscaras pelas cadeias e colocou 8100 no hospital-prisional, confirma, ao JN, que, até ao final da tarde de ontem, um guarda prisional de Custóias e uma auxiliar de ação médica do Hospital-Prisão de São João de Deus continuavam a ser os casos diagnosticados entre o pessoal das cadeias.

Já entre os reclusos, o único doente sinalizado era uma brasileira detida, na fronteira de Caia, Elvas, na posse de cocaína. "Encontra-se em isolamento e tratamento", refere a DGRSP.

Ameaçou médico

Também foram anunciadas na segunda-feira três detenções no âmbito do atual estado de emergência. Um dos detidos, um desempregado estrangeiro, de 40 anos, ameaçou com uma navalha um médico e um enfermeiro do Hospital de Aveiro, enquanto esperava pelo resultado do teste à Covid-19.

Já um homem de 46 anos, residente em Ovar, que estava impedido de sair de casa por estar contagiado pelo novo coronavírus, foi intercetado junto ao Hospital de Ovar, a conduzir o carro, no qual seguia também o seu pai. À PSP, o indivíduo referiu que ia levar o progenitor ao centro de testes de despistagem à Covid-19.

A PSP também deteve, mas em Braga, um jovem de 17 anos, por não acatar o recolhimento domiciliário. O detido foi encontrado diversas vezes na rua sem justificação.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) está a avaliar se será necessário emitir uma orientação sobre qual deve ser a atuação do Ministério Público (MP), em todo o país, quando forem detidos cidadãos por violarem o dever de recolhimento domiciliário. Em nove dias, foram detidas pela PSP e pela GNR, no âmbito do estado de emergência, 81 pessoas por desobediência, parte das quais por não terem acatado a indicação das autoridades para regressarem a casa. Em muitos casos, tal tem sido confirmada pelo tribunal. Mas, na quinta-feira, um juiz de Santarém concordou com a magistrada do MP e considerou ilegal a detenção de dois homens que consumiam bebidas alcoólicas na rua. A PSP aguarda que a PGR clarifique a questão.

Inês Banha

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