Matosinhos

Comboios da linha de Leixões levam três utentes por viagem

Comboios da linha de Leixões levam três utentes por viagem

Há poucos utentes a utilizar a linha de Leixões, reactivada para passageiros há cerca de um ano. A CP garante que soma 150 bilhetes pagos por dia, o que dá uma média de três utilizadores por cada viagem. A segunda fase do projecto está estagnada.

Durante a semana, os comboios fazem 54 vezes por dia o trajecto Leça do Balio (Matosinhos)- Ermesinde (Valongo) e vice-versa, parando nas estações de S. Mamede de Infesta e S. Gemil (Maia).  Aos fins-de-semana e feriados, a frequência desce para 34 viagens de ida e volta.

 Ao JN, a CP assegurou que a linha tem uma média mensal de 4500 passageiros (sem contar com as borlas dos primeiros dois meses de funcionamento), o que corresponde a cerca de 150 utentes por dia, três por viagem.

Para reactivar a linha, que durante décadas serviu apenas mercadorias, a empresa de caminhos de ferro investiu 6,8 milhões de euros em material circulante e equipamentos e gastará aproximadamente 340 mil euros por ano com pessoal, segundo dados divulgados na inauguração do serviço.

Não é difícil perceber que há cadeiras de sobra nas composições, e isso acontece todos os dias, mesmo nas horas de ponta, relataram os passageiros mais frequentes. Todos, sem excepção, acreditam na viabilidade da linha, mas para isso é necessário levar os outros transportes públicos às estações existentes (actualmente não há interacção nos apeadeiros) e cumprir a prometida expansão do projecto.

Porém, a segunda fase da linha de Leixões, que já devia estar concretizada, não dá sinais de poder avançar. Não há contacto entre as entidades que acordaram a expansão e não há verba inscrita no Plano de Investimento e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC).

O protocolo assinado entre a Refer, a CP e a Câmara de Matosinhos, em Maio de 2009, previa a extensão a Leixões, com a construção de uma estação num terreno com 18 mil metros quadrados da APDL, próximo da estação de metro "Senhor de Matosinhos". Para ali foi projectado um interface com ligação ao metro, táxis, transportes rodoviários e um parque de estacionamento. A obra de 10 milhões de euros deveria estar concluída até ao final deste ano, mas nada avançou.

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Estavam ainda previstos mais dois apeadeiros, um na Arroteia (junto à Efacec, para aproveitar o movimento daquela zona industrial) e outro perto do Hospital de S. João, com ligação ao metro.

Face a este cenário, a Refer atira culpas para a Câmara de Matosinhos que, por sua vez, devolve as responsabilidades. Questionada pelo JN, a empresa repete a resposta enviada à Imprensa em Julho passado e afirma que, para desenvolvimento da segunda fase, torna-se "necessário assegurar, através de terreno municipal, as respectivas acessibilidades àquelas novas infra-estruturas ferroviárias, sem as quais não será possível a Refer dar início à sua construção".

"Este processo, referente às acessibilidades, aguarda as necessárias decisões por parte da Câmara de Matosinhos, entidade responsável por esta componente do projecto", diz a empresa.

Do outro lado, a Câmara de Matosinhos informa, através do gabinete de Comunicação, que o presidente, Guilherme Pinto, aguarda há seis meses por um contacto do presidente da Refer.

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