Matosinhos

Confinamento levou menos clientes à feira de Leça do Balio

Confinamento levou menos clientes à feira de Leça do Balio

Portugal entrou esta sexta-feira num novo confinamento e, na feira de Santana, em Leça do Balio, no concelho de Matosinhos, os vendedores falam numa diminuição de clientes. Ainda assim, mostram-se "aliviados" por conseguirem montar a banca e garantem que comprar nas feiras é seguro.

O negócio foi "mais fraco", mas estar impossibilitado de montar a banca seria ainda pior. Fernando Duarte tem 63 anos e vende carne em feiras há quatro décadas. Quando foi decretado um novo confinamento, teve receio de não poder trabalhar. No ano passado, esteve "parado" cerca de três meses. Esta sexta-feira, foi um dos comerciantes com autorização para vender na feira de Santana. Pelo recinto, a escolha estava limitada a carne, peixe, pastelaria, frutas e legumes.

"O negócio está fraquinho. As pessoas estão com medo de vir às feiras e algumas também não sabem que estão abertas. Mas prefiro estar aqui do que estar em casa. Em casa não se ganha nada", sublinhou Fernando Duarte, mantendo a esperança em melhores dias.

"Se estivessem aqui os outros colegas, havia mais movimento. Isto é ao ar livre. Penso que nos hipermercados, como é tudo fechado, há mais risco de contágio", defendeu o feirante, residente em Valongo.

Celeste Soares não esconde o "alívio" por conseguir trabalhar. "O último confinamento foi há pouco tempo e a gente ainda não conseguiu erguer a cabeça. Ainda não dá para juntar dinheiro, mas dá para levar o barco", disse a feirante, de 59 anos.

Ainda assim, admite ter "medo" em relação ao futuro e cautela na hora de fazer as encomendas. "Está fraquinho, mas é melhor do que estar em casa. Agora a gente tem de ter juízo ao trazer os doces porque já se sabe que não se vende. Da outra vez, deitei muita coisa fora. Tive um prejuízo enorme", recordou Celeste Soares.

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A vender enchidos e queijos, António Oliveira não está otimista. Até meio da manhã, só tinha atendido "duas ou três pessoas". "O negócio está péssimo. Não ganhamos para pagar os lugares nem para o transporte. Estamos muitas horas parados", lamentou o vendedor, sem saber se na próxima semana vai montar banca.

A escassos metros, Maria Braga tem à venda frutas e legumes. Chegou ao recinto da feira de Santana por volta das 5.30 horas. À entrada, houve fiscalização para garantir o cumprimento das normas em vigor. Quanto aos clientes, são "poucos". "Isto agora é sempre a cair. Vai ser para toda a gente e temos de aguentar", disse Maria Braga.

Entre os feirantes, era notória a preocupação com os colegas que, devido ao confinamento, estão sem vender. "Os nossos colegas também têm de comer", referiu Maria José Roque, vendedora de peixe, admitindo ter pensado que o negócio iria correr pior. A clientela fiel não faltou às compras.

"O Governo devia fechar tudo por uma semana. Assim, não vai dar em nada", acrescentou.

António Oliveira não compreende o porquê de não haver venda de roupa. "Não é através da roupa que vai pegar o vírus. É mais saudável andar na feira porque existe mais espaço aberto do que nos hipermercados", frisou.

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