Refinaria de Matosinhos

Costa é "um verdadeiro trapalhão", acusam sindicatos sobre a Petrogal

Costa é "um verdadeiro trapalhão", acusam sindicatos sobre a Petrogal

Num protesto de trabalhadores contra o encerramento da Petrogal, que decorreu esta manhã de sexta-feira em frente à Câmara de Matosinhos, Rogério Silva, dirigente da Fiequimetal, acusou o secretário-geral do PS de ser "um verdadeiro trapalhão" perante as declarações que deu no passado domingo durante uma ação de campanha.

Entre a chuva de acusações e críticas a António Costa que se ouviu esta manhã em Matosinhos, Rogério Silva, da Fiequimetal, federação intersindical, disse que o secretário-geral do PS "revelou ser um verdadeiro trapalhão". Mas a esperança de reverter o fecho da Petrogal ainda resiste entre os trabalhadores.

"Na figura de primeiro-ministro, é o líder deste crime económico que se cometeu. António Costa veio aqui a Matosinhos pôr a mão por baixo da sua candidata e presidente da Câmara e dar uma de homem cheio de pena dos trabalhadores da refinaria. Eles não necessitam que tenham pena deles. Exigem o respeito a que têm direito", reivindicou o sindicalista, apelando a que todos aproveitem "a oportunidade de mostrar o cartão vermelho" no próximo domingo de eleições à presidente da Câmara, Luísa Salgueiro, "porque andou calada".

"Não gozem com quem trabalha", apelou Hélder Guerreiro, coordenador da Comissão de Trabalhadores da Petrogal, apontando para um cartaz que à afirmação juntava uma imagem do secretário-geral do PS, António Costa. A manifestação contou com a presença de José Pedro Rodrigues, vereador da Proteção Civil, Mobilidade e Transportes no Executivo municipal e candidato da CDU a presidente da Câmara.

Durante a intervenção do coordenador da Comissão de Trabalhadores, juntaram-se ao protesto Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda e Carla Silva, candidata do partido à Câmara.

Sem prestar declarações, mas em conversa com Hélder Guerreiro, presenciada pelos jornalistas, Catarina Martins disse que o Governo podia "ter travado isto", lembrando que o Estado é acionista da Galp. "Não aceitamos que o que está a acontecer seja por causa da transição energética ou do clima, não é, porque a solução vai poluir mais e não poluir menos", reforçou a coordenadora do BE.

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"Vamos todos ficar mais pobres"

"Há nove meses que escrevemos ao senhor primeiro-ministro a falar da falta de responsabilidade da Galp, da insensibilidade que a empresa demonstrou em todo este processo e da necessidade fundamental e central para o país de manter a refinaria do Porto a trabalhar porque produz mais de 20 produtos que vão passar a ser importados. É uma questão de interesse nacional e o senhor primeiro-ministro, finalmente, vem a Matosinhos, em vésperas de umas eleições autárquicas, dizer que nós tínhamos razão. É caso para dizer: mais vale tarde do que nunca", acrescentou Hélder Guerreiro, criticando a "falta de coerência" de António Costa.

"Se quer dar uma lição à Galp, então vamos readmitir os trabalhadores despedidos, vamos pôr a refinaria novamente a trabalhar em prol desta região e em prol do país. É assim que se resolve", referiu o coordenador da Comissão de Trabalhadores.

O protesto desta manhã reuniu o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energias e Atividades do Ambiente (Site-Norte), a Fiequimetal, a Comissão de Trabalhadores da Petrogal, mas alguns trabalhadores já despedidos também marcaram presença.

Para Miguel Ângelo, dirigente do Site-Norte, o fecho do complexo petroquímico vai produzir um efeito transversal no país: "vamos todos ficar mais pobres". O sindicalista referiu ainda que "o que não falta são culpados" pelo encerramento da refinaria.

Confiantes na reversão do encerramento

João Marinho, um dos 140 trabalhadores despedidos até agora, admite que a decisão de encerrar a refinaria pode ser revertida, uma vez que nenhuma máquina foi retirada. Também Hélder Guerreiro acompanha essa expectativa: "As unidades estão operacionais, não foram ainda desmanteladas".

Referindo que uma pequena parte do pessoal aceitou a entrada na reforma ou o pagamento de indemnização, João Marinho esclarece que "muitos deles se viram obrigados a isso". O também dirigente do Site-Norte explicou que quem quiser impugnar o despedimento tem de entregar a compensação e que, "com famílias e despesas para pagar", há quem não tenha outra opção.

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