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Descontaminar solos da refinaria de Leça pode levar dez anos

Descontaminar solos da refinaria de Leça pode levar dez anos

Galp pede "muita paciência" a Matosinhos. Câmara tem urgência na avaliação da contaminação dos terrenos, para não perder os Fundos de Transição Justa e instalar um polo da Universidade do Porto na parcela de terreno a transferir para o município no plano de desmantelamento da refinaria. E o lítio? Não, obrigado!

Andy Brown, presidente executivo da Galp, disse que "vai ser preciso ter muita paciência" e aguardar cerca de uma década até que a descontaminação dos solos da refinaria de Matosinhos fique concluída. E ainda que também tenha verificado que as partes não contaminadas podem ser entregues mais cedo, como a Câmara de Matosinhos prevê e deseja, o CEO britânico suscitou acesso debate na reunião da Vereação, realizada esta quarta-feira, no Salão Paroquial de Leça da Palmeira.

José Pedro Rodrigues, vereador do PCP/PEV, foi o primeiro a abordar as declarações de Andy Brown, veiculadas pela Lusa havia minutos. "O CEO da Galp pede paciência e avisa que o desmantelamento levará pelo menos mais dez anos. É uma falta de vergonha e de respeito por Matosinhos. É o quero, posso e mando".

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Alertada momentos antes para a entrevista do diretor executivo da Galp, a presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro, fez o ponto de ordem: "Eu não li, desconheço, não vou pronunciar-me sobre as declarações do senhor CEO. Mas, sobre o plano de descontaminação noticiado na semana passada, é importante clarificar que não diz respeito à área a ser atribuída à Câmara".

60 milhões para gastar até 2026

"Há duas áreas distintas. E convém clarificar isso. A Galp é proprietária de todo o terreno, de aproximadamente 260 hectares. Como protocolado, a empresa cederá ao município uma parte, de aproximadamente 40 hectares, para ali se aplicarem as verbas dos Fundos de Transição Justa e desenvolverem projetos de interesse da comunidade, como a criação de novos centros de investigação, já acordados com a Universidade do Porto", disse a presidente da Câmara de Matosinhos.

Luísa Salgueiro observou que esses fundos [60 milhões de euros] "têm de ser utilizados até 2026" e que a Câmara precisa de conhecer o relatório de contaminação dos terrenos, que a Agência Portuguesa do Ambiente ficou de enviar até 31 de março e que, segundo a autarca, "chegará muito em breve".

A área pretendida pela Câmara situa-se numa zona, no extremo-norte da refinaria, já na freguesia de Perafita, julgada menos poluída, por estar mais distante do centro do complexo industrial que ali operou durante cinco décadas. Daí o município aguardar um relatório de descontaminação mais favorável, a fim de concluir os projetos de requalificação dentro dos prazos impostos pelos Fundos de Transição Justa.

Lítio não, obrigado!

Os planos da Câmara visam a completa despoluição dos terrenos da Galp e também a refinação do lítio, como chegou a ser aventado, foi definitivamente afastada, para Setúbal, no caso.

"Matosinhos quer descontaminar a área onde durante muitos anos funcionou a refinaria. O município usufruiu da atividade industrial instalada, mas também sofreu com o grande impacte negativo, no ambiente e na saúde das pessoas. Não queremos continuar com atividades que impactem negativamente no ambiente e na saúde. Por isso entendemos que a solução não é uma refinaria de lítio, mas, sim, atividades económicas alternativas, que geram mais emprego e que apontam para a inovação, a investigação e a atividades de ponta. Com o investimento que vamos fazer com a Universidade do Porto, vamos criar mais postos de trabalho do que aqueles que foram extintos", conclui Luísa Salgueiro.

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